Já digo de cara, sem rodeios: considero-me fã da Mimi desde...bom, muito tempo. Quase 20 anos. E eu esperava que sua autobiografia seria recheada de fofocas, bafos e babados sobre os bastidores de sua vida glamorosa e afins. Esperava inclusive ler sobre suas tretas com Jennifer Lopez e Eminem, por exemplo. kkkkk
E....eis que o livro é NADA disso!! >.<
E, apesar de eu não conseguir deixar de ficar levemente decepcionado, eu fui positivamente surpreendido com o que encontrei.
The Meaning of Mariah Carey, como o título sugere, é um livro sobre a vida pessoal da Mariah. Sobre tudo o que aconteceu de relevante na sua vida pessoal e sua formação como ser humano, que a tornou o que ela hoje é.
Tranquilamente mais da metade do livro é sobre a infância extremamente conturbada e abusiva da cantora. Filha de pai negro e mãe branca, Mariah herdou o melhor e o pior de cada lado. Os pais viviam em guerra e um divórcio era eminente. No lado da família (e do bairro onde morava com a mãe quando criança) da mãe, Mariah não era 'branca o suficiente'. No lado da família do pai (e no bairro onde ele morava), Mariah não era 'negra o suficiente'. Seus dois irmãos faziam bullying e ataques racistas com ela o tempo todo. As crianças da escola e do bairro cuspiam na cara dela por conta de seus traços genéticos.
E quando ela cresceu e se arriscou sair de casa e deixar uma irmã e uma mãe que eram muito mais inimigas dela do que família de verdade, Mariah embarca em sua carreira musical e se envolve com o presidente de sua primeira gravadora, Sony Music. O seu casamento com Tommy Motola foi outro relacionamento de extremo abuso, manipulação e terrorismo psicológico em sua vida já repleta de traumas.
Enfim, eu diria que cerca de 75% do livro se resume à esses acontecimentos. Ou seja, não é uma leitura fácil. Não vou usar o adjetivo 'desagradável', mas agradável não é uma palavra que eu usaria para definir este livro.
As narrações da artista sobre sua vida são pesadas, intensas, feias e, por vezes, gráficas. Seu relacionamento com paparazzi e a imprensa de modo geral, como seria esperado, foi igualmente conturbado. Especialmente em uma época onde as redes sociais não existiam e, com isso, seus próprios fãs não a podiam defender contra alegações falsas da mídia (algo que ela diz acontecer constantemente desde a última década - os fãs que hoje podem prejudicar um jornalista, e não mais o jornalista prejudicar a celebridade).
No entanto, nem somente de temas pesados, tristes e melancólicos este livro trata. Para mim, as melhores partes deste livro são aquelas onde Mariah nos guia sobre seu processo de composição de muitas de suas músicas, e como alguns específicos álbuns foram idealizados e produzidos. Assim como aprendemos a verdadeira história por trás das letras de várias de suas gravações. Particularmente, eu fiquei extasiado ao finalmente entender o conceito do clipe e a mensagem por trás das letras de uma das minhas 5 músicas 'favoritas da vida' da Mariah: The Roof (do álbum Butterfly - 1997).
O livro é dividido em 4 partes, e a parte final fala quase que exclusivamente sobre seu processo de emancipação. Emancipação de sua própria família original, emancipação de seu ex primeiro marido, emancipação da sua primeira gravadora, emancipação do enorme fiasco da 'era Glitter'. Essa última parte foca muito em pequenos grandes acontecimentos em sua vida pessoal e pública nos últimos 15 anos.
E, apesar de todo o contexto pesado e triste dos primeiros 75% do livro, o livro termina com um tom mais otimista, inspirador, leve e agradável.
The Meaning of Mariah Carey é um livro para fãs, na minha opinião. Para nós, os fãs, entendermos perfeitamente quem é a pessoa (não a artista) Mariah Carey.