Emissões -

    Kamilly Barros

    Absurtos Editora
    2020
    135 páginas
    4h 30m
    ISBN-13: 9786586410020
    Português Brasileiro

    Emissões, de Kamilly Barros, é uma obra que desafia o leitor do começo ao fim. O título já é um convite para imaginar tudo o que pode ser emitido, transmitido, e quais caminhos essas ondas de conteúdo e forma podem percorrer. Cada poema pede um olhar atento para a escolha do vocabulário, o processo de formação das palavras, os sinais gráficos e os temas, que vão dos mais intimistas aos mais sociais. A subversão de algumas regras gramaticais, a construção neológica de termos e a profusão de temas e referências multiplicam as camadas de significados e interpretações. A poesia de Emissões está num verso divertido que lembra um meme, mas também na profundidade de homenagens literárias e provocações filosófico-históricas.

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    Renan Alves Melo08/02/2026Resenhou um livro

    Da palavra e sua emissária

    No dicionário, “emissões” tem como significado: aquilo que é expelido, lançado e colocado em circulação. Já na poesia de Kamilly Barros, o termo inaugura o corpo da poeta enquanto instrumento da poesia. Mais do que apresentar ao mundo o seu verso, aqui o fazer poético é quem ajuda a significar e justificar Kamilly no espaço-tempo das coisas e não coisas. E é justamente por isso que temos como tarefa impossível dissociar a carne da autora do espírito lírico que a precede. Na construção da obra, sua voz assume a dependência da palavra com todo respeito que cabe ao lavrador semântico. Escreve-se porque precisa, não porque deseja. É como se Kamilly fosse o resultado da sua poesia e não o contrário. Tanto que na própria organização do livro, temos uma cadência de autonomia da poeta, à medida que a palavra ganha o corpo de quem a emite. Começamos com as “metações”, cujo prefixo do grego “metá” propõe ao início esse ponto de partida que nos leve para além e transcenda leitor, autora e poesia numa conjuntura só. Na sequência temos as “aspirações”, “destinações”, “autofricções” e “afirmações”, além de um poema final que integra a parte “one last breath”. Em todas elas, Kamilly mescla o contemporâneo com seu arcabouço político, literário e geográfico, seja por meio de um estrangeirismo reinventado, seja através da sua criticidade vociferada. Enfim, temos aqui um livro para se ler em voz alta, convidando o que é fonético para ampliar o sentido de cada imagem que se lapida enquanto cruzamos a jornada de uma autodescoberta. Tanto da autora quanto nossa.

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