A terceira vida de Grange Copeland -

    Alice Walker

    José Olympio
    2020
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9788503013802
    Português Brasileiro

    Primeiro livro da autora de A cor púrpura, inédito no Brasil. A terceira vida de Grange Copeland, primeiro livro de Alice Walker – vencedora do Prêmio Pulitzer de 1983 pelo livro A cor púrpura –, revela o cotidiano de uma família negra no Sul dos Estados Unidos, por três gerações. Oprimido pela estrutura racista do condado de Baker, o trabalhador rural Grange Copeland abandona família e amante para ganhar a vida no Norte, mas retorna, após passar por experiências transformadoras, decidido a nunca mais conviver com pessoas brancas. Grange refaz sua vida, torna-se fazendeiro, mas tem que lidar com as consequências de suas escolhas no passado. Escrito com linguagem poderosa e precisa, o livro trata de violência - racial, social, familiar, contra a mulher -, mas também da força humana, capaz de mudar uma realidade inóspita por meio do amor e da ação no mundo. Para a escritora Jarid Arraes, que assina a orelha do livro, "Alice Walker é corajosa. Aborda temas profundamente delicados e tabus dentro da própria comunidade negra. Escreve com a fome de quem precisa contar mais do que a realidade: precisa da crueza, da ferida mais inflamada e difícil de tratar. Esta obra é, em primeiro lugar, literatura para quem não teme a honestidade do espelho, as perguntas dolorosas e o grotesco." Quase ninguém tentou nos contar sobre o início da vida, sobre a vida íntima das pessoas negras [...]. Alice Walker é uma contadora de histórias. – The New Yorker Alice Walker nos comove ao enfatizar a humanidade que compartilhamos com seus personagens [...]. Uma narrativa densa, honesta e sensível [...] atenuada pelos momentos de humor e afeto que ajudaram homens e mulheres a suportar tanta tragédia [...]. Walker parece segura em deixar que narrativa, caracterização e acontecimentos, a alma de um romance, falem por si mesmos. – Chicago Daily News

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    Bookster Pedro Pacifico21/01/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A terceira vida de Grange Copeland, de Alice Walker

    Apesar de ser conhecida mundialmente por “A cor púrpura”, premiado romance que denunciou de forma impactante o racismo e machismo no sul dos Estados Unidos, Alice Walker tem uma ampla produção literária. No entanto, temos poucos de seus trabalhos publicados no Brasil e, por isso, a publicação de seu primeiro romance, “A terceira vida de Grange Copeland” (1970), foi recebida com muito entusiasmo - e, para alegria dos leitores, com uma crítica muito positiva. Confesso que comecei a leitura com não tão altas expectativas, até porque tinha gostado muito de “A cor púrpura” e sabia que outro livro da autora dificilmente poderia superá-lo. A narrativa perpassa três gerações de uma família no sul dos Estados Unidos. Grange Copeland trabalha e depende da terra, que pouco tem a lhe oferecer. E cansado dessa pobreza e da falta de oportunidade para os negros, decide seguir rumo ao norte, deixando tudo - e todos - para trás. Mas a história se repete e, diferentemente do esperado, Copeland não encontra uma vida melhor. Diante disso, resolve retornar ao seu antigo “lar”, onde se depara com o pouco que restou de sua família. É um cenário de extrema pobreza e repleto de violência. Copeland enxerga em seu filho, Brownfield, as consequências de uma violência que sempre vivenciou. A constante submissão vivida pelas mulheres e filhos nesse cenário é revoltante. A estrutura de poder que vai resistindo às gerações continua deixando marcas - às vezes fatais - em quem está por baixo. E para construir esse enredo, Alice Walker se vale de uma escrita crua e capaz de transmitir ao leitor a brutalidade física e psicológica vivida pelos mais frágeis. Eu gostei muito do livro e me envolvi bastante com os personagens. Uma das partes que mais me marcou foi, no meio de tanta tristeza, a humanidade na relação de amizade nutrida entre Copeland e sua neta, filha de Brownfield. Isso mostra como a autora conhece sobre o ser humano e sobre a nossa necessidade de criar vínculos e afetos. Vale muito a pena a leitura! Nota 9,5/10

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