As cantigas de amigo constituem o aspecto mais rico e inventivo da lírica trovadoresca galaico-portuguesa. Compreende-se por lírica a expressão poética de sentimentos e estados de espírito do sujeito, isto é, do eu. Modernamente tem-se dado ênfase ao fato do eu poético não coincidir necessariamente com o eu do poeta, o que aponta para o caráter ficcional da lírica. Assim como uma peça de teatro, um conto ou um romance têm personagens, o poeta lírico elege como personagem, às vezes única, o eu enunciador e, outras vezes, um outro eu, diferenciado. As Cantigas de Amigo são o melhor exemplo dessa outra voz.
