Este foi o único livro que eu comprei na Bienal do Livro de São Paulo em 2018. E tornou-se um dos meus favoritos da vida.
Paola Tôrres nasceu em Gravatá, Pernambuco, em 1966. Até à adolescência, já tinha morado em 14 cidades. Desde pequena queria ser médica. Escolheu a hematologia. É escritora, cordelista, musicista e cineasta amadora. Seu contato com pacientes oncológicos, muitos em estágio terminal, aguçaram seu interesse pela medicina integrativa, que foca num tratamento mais humanizado, na relação mais estreita entre médico e paciente, fazendo uso da medicina tradicional e também abordando aspectos sociais, mentais, emocionais e espirituais da vida do paciente.
Paola medita, estuda budismo, canta e adora gente; em especial, o seu povo do sertão. Neste livro, ilustrado com xilogravuras do consagrado J. Borges, ela conta sua história de vida entrelaçada ao ofício da medicina. Também conta sobre a doença de seus pacientes em forma de cordel.
É um livro tão rico e tão sensível, que é difícil escrever sobre ele. Nos deixa com a sensação boa de que o mundo é muito mais vasto do que imaginamos e nele há pessoas de muito valor. Por mais seres humanos como Paola; por mais médicos sensíveis e comprometidos com a humanidade.
Um trecho de Andei por aí:
“Andei por aí,
Mas voltei pro meu lugar.
Andei por aí,
Mas não me achei,
Pois meu coração tava lá…
(...) Só permita Deus que eu viva
Vida longa e muito boa,
Que eu parta bem de mansinho,
Feito a arribaçã que voa...”
P.S.: Paola Tôrres é fundadora do Instituto Roda da Vida em Fortaleza, Ceará, que tem por objetivo introduzir práticas integrativas para pacientes com câncer e também seus familiares, cuidadores, amigos, além de oferecer suporte para profissionais da área de saúde.
Ela produziu um documentário sobre pacientes com linfoma chamado Caminhos da Cura - Narrativas em Medicina, que pode ser visto no YouTube.