"...É que você está acostumada a coisas que se desfazem, a gente a coisas que ficam".
Em cento e poucas páginas, acompanhamos a historia de uma moldadora de nuvens, um ser perene que, por ventura, acaba criando materialidade e desce à terra. Ela, então, conhece Neblina, uma humana que se compromete a ajudar a moldadora a voltar para sua missão. Mas será que esta é mesmo sua missão de vida?
Ironicamente, a palavra que mais define este livro é: palpável. Já no começo da historia, a autora constrói uma narradora real, cheia de sentimentos conflitantes e dúvidas sobre si mesma. É essa jornada intimista, descrita com tanta poesia, que mais me sensibilizou. Consegui me conectar, não apenas com a protagonista, mas também com Neblina, que em poucos diálogos mostrou dores e cicatrizes passadas com profundidade. Sem exagero, nem simplicidade. Como os sentimentos realmente são.
A narrativa é fluída, focada mais nas questões pessoais das personagens do que em eventos externos. Gostei de como a autora sabe muito bem quanto tempo deve gastar em cada cena, proporcionando, assim, a sensação agradável de "não consigo parar de ler".
O final me deixou triste; eu não estava preparada para já largar dessas personagens! Criei um grande carinho pelas duas, e senti que elas me acolhiam durante a leitura. Se tornou um livro conforto para mim, daqueles que deixam o coração bem quentinho.
Se você procura uma leitura mais amorzinho, leve e rápida, tenho certeza de que este livro não vai te decepcionar.