Herdeiras de Duna é considerado por muitos como o volume final da coleção por ser o último livro escrito por Frank Herbert. Sua morte, ocorrida antes da publicação, não apenas não o impediu de deixar várias anotações que possibilitaram a seu filho continuar a saga, como esse próprio livro abriu numerosos ganchos para a história da sobrevivência humana - seu principal tema.
O conflito entre as Bene Gesserits e as Honoráveis Madres chega a seu final em um movimento contrário a vários outros momentos históricos religiosos reais. Herbert tem um propósito ao fazer isso: fomentar uma discussão baseada no preceito básico "A Carne".
Há capítulos inteiros devotados aos golas e clones, a engenharia genética, a cibernética; Os personagens usam a ameaça de aniquilação para inquirir, de forma relativamente sútil, a validade da moral em face a ameaças que podem ser derrotadas somente com o desenvolvimento da espécie. Então, quando deixamos de ser humanos para sermos máquinas? Qual é a diferença entre uma característica melhorada e uma aberração? É verdadeiramente interessante acompanhar essa obra composta quase inteiramente composta por diálogos internos e externos.
Há também várias informações novas trazidas sobre o funcionamento institucional das duas instituições supracitadas e alguns acenos em direção a outras religiões terrenas que se desenvolveram para acomodar a migração espacial.
Como sempre, Duncan Idaho e descendentes dos Atreides fazem parte do rol de personagens e outros arquétipos que o autor espalhou pela narrativa.
Enfim, é uma leitura muitíssimo recomendada para quem gosta de ficção científica e do estilo "construção de mundo".