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    Para acabar com o juízo de Deus (Coleção Artaud #3) - e outros escritos

    Antonin Artaud

    Moinhos
    2020
    92 páginas
    3h 4m
    ISBN-13: 9786556810256
    Português Brasileiro
    4.1
    19 avaliações
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    Para acabar com o juízo de Deus e outros escritos é composto por quatro textos: Fragmentos de um diário do inferno, As novas revelações do ser, À margem das novas revelações do ser e Para acabar com o juízo de Deus. De acordo com a pesquisadora Marcia Schuback: “Os textos que compõem o presente volume das obras de Artaud expõem o duro aprendizado da identificação com a carne cruel e bruta do estar sendo. São textos que representam três décadas da vida de Artaud, décadas que são cadências e ritmos e não uma mera sucessão na cronologia da vida e do tempo.” Esse é o terceiro livro da Coleção Artaud, com tradução de Olivier Dravet Xavier.

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    Bruno G. Ciccarino picture
    Bruno G. Ciccarino14/04/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Todos devemos construir nosso CsO

    Se quiserem, podem meter-me numa camisa de força, mas não existe coisa mais inútil que um órgão. Quando tiverem conseguido um corpo sem órgãos, então o terão libertado dos seus automatismos e devolvido sua verdadeira liberdade. — Antonin Artaud, 1947[3] O que Artaud aqui exprime é: "Chega de funções, chega de hierarquias." Todo corpo é organizado para funcionar de acordo com as expectativas das instituições — moralidade, religião, capitalismo, colonialismo, imperialismo — e quando um corpo não se organiza assim, oferecendo risco por não se encaixar na cadeia de produção, ele cai no buraco da patologia psiquiátrica. Uma criança alegre é dada como neurodivergente porque toda sua potência, movimento e intensidade não foram recalcados e reinvestidos para o funcionamento das engrenagens dessa colossal máquina social. É por isso que o texto é, acima de tudo, o mais notável grito antipsiquiatrico e de certa forma antimanicomial — uma denúncia do aprisionamento do corpo intensivo pelas diversas organizações a que ele é submetido.

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    Antoine Marie Joseph Artaud profile picture

    Antoine Marie Joseph Artaud

    "Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas que refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar forças. Em 1935 Artaud conclui o "Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double), um dos livros mais influentes do teatro deste século. Na sua obra ele expõe o grito, a respiração e o corpo do homem como lugar primordial do ato teatral, denuncia o teatro digestivo e rejeita a supremacia da palavra. Esse era o Teatro da Crueldade de Artaud, onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo. Em Rodez, além de suas cartas (lettres au docteur Ferdière) ele elabora uma prática vocal, apurada dia a dia, associada à manifestações mágicas. A voz bate, cava, espeta, treme, a palavra toma uma dimensão material, ela é gesto e ato. Artaud volta a Paris em 1946, onde dois anos depois é encontrado morto em seu quarto no hospício do bairro de Ivry-sur-Seine. Neste período, além de uma importante produção literária ele desenha, prepara conferências e realiza a emissão radiofônica "Para acabar com o juízo de Deus" (Pour en finir avec le jugement de dieu), onde sua vontade expressiva se alia a um formalismo cuidadoso. Se nos anos 30 o teatro para Artaud é “o lugar onde se refaz a vida”, depois de Rodez ele é essencialmente o lugar onde se refaz o corpo. O “corpo sem órgãos” é o nome deste corpo refeito e reorganizado que uma vez libertado de seus automatismos se abre para “dançar ao inverso”. “A questão que se coloca é de permitir que o teatro reencontre sua verdadeira linguagem, linguagem espacial, linguagem de gestos, de atitudes, de expressões e de mímica, linguagem de gritos e onomatopéias, linguagem sonora, onde todos os elementos objetivos se transformam em sinais, sejam visuais, sejam sonoros, mas que terão tanta importância intelectual e de significados sensíveis quanto a linguagem de palavras.” O seu trabalho ainda inclui, ensaios e roteiros de cinema, pintura e literatura, diversas peças de teatro, inclusive uma ópera, notas e manifestos polêmicos sobre teatro, ensaios sobre o ritual do cacto mexicano peyote entre os índios Tarahumara (Les Tarahumaras), aparições como ator em dois grandes filmes e outros menores. Artaud escreveu: "Não se trata de assassinar o público com preocupações cósmicas transcendentes. O fato de existirem chaves profundas do pensamento e da ação segundo as quais todo espetáculo é lido é coisa que não diz respeito ao espectador em geral, que não se interessa por isso. Mas de todo o modo é preciso que essas chaves estejam aí, e isso nos diz respeito" - em Teatro e seu duplo. Se considerava um poeta, mas não no sentido usual, pois ele acreditava que alguém se definia como poeta ou não na própria vida, não precisando escrever um poema sequer. Apesar de haver escrito poemas no início da carreira, conforme o autor poemas simbolistas, queimou-os todos, e não temos idéia de como seriam estes poemas. No entanto, textos posteriores como "Para acabar com o julgamento de Deus" (1948), metafóricos e repletos de experimentação linguística, podem muito bem se enquadrar na categoria de 'poesia' em prosa." in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonin_Artaud

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