Discurso de metafísica -

    Gottfried Wilhelm Leibniz

    Vozes De Bolso
    2019
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-10: 8532661327
    Português Brasileiro

    Acredito que aquele que meditar sobre a natureza da substância encontrará que toda a natureza do corpo não consiste somente na extensão, isto é, na grandeza, figura e movimento, mas que é preciso necessariamente reconhecer nela algo que tenha relação com as almas e que se chama vulgarmente de forma substancial, se bem que ela em nada modifique os fenômenos, nem tampouco a alma dos animais irracionais, se a tiverem. Pode-se mesmo demonstrar que a noção da grandeza, da figura e do movimento não é tão distinta quanto se imagina, e que ela encerra algo de imaginário e de relativo às nossas percepções, como o são ainda (conquanto bem mais) a cor, o calor e outras qualidades semelhantes, que se pode duvidar se se encontram verdadeiramente na natureza das coisas fora de nós.

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    Doney Corteletti Stinguel19/07/2017Resenhou um livro
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    Lista de livros: Discurso de Metafísica e outros textos, de G. W. Leibniz

    “Não há nada inculto, estéril, ou morto no universo, não há caos, não há confusão senão na aparência.” * “Só Deus tem um conhecimento distinto de tudo, pois Ele é a fonte de tudo. Dele se disse muito atinadamente que é como centro em toda parte, mas que sua circunferência não está em parte alguma, pois tudo lhe é imediatamente presente, sem nenhum distanciamento deste centro.” * “Ora, não se poderia encontrar esta razão suficiente da existência do universo na série das coisas contingentes, isto é, na série dos corpos e de suas representações nas Almas: porque a Matéria sendo em si mesma indiferente ao movimento e ao repouso, e a tal ou qual movimento, não poderíamos encontrar nela a razão do movimento e menos ainda de um movimento determinado. E ainda que o movimento presente, que está na matéria, provenha do precedente, e este de outro precedente, com isso não conseguiríamos avançar, ainda que retrocedêssemos indefinidamente, pois sempre permanece a mesma questão. Assim, é preciso que a razão suficiente, que não necessita de outra razão, esteja fora desta série de coisas contingentes e se encontre em uma substância que seja sua causa, e que seja um Ser necessário, que tenha em si a Razão de sua existência, pois de outro modo não teríamos ainda uma razão suficiente na qual pudéssemos parar. E esta última razão das coisas se chama Deus. Esta substância simples primitiva deve encerrar eminentemente as perfeições contidas nas substâncias derivativas, que são seus efeitos. Assim, terá a potência, o conhecimento e a vontade perfeitos, isto é, terá onipotência, onisciência e bondade soberanas. E como a justiça, considerada de maneira geral, não é outra coisa que bondade conforme à sabedoria, é preciso que haja também uma justiça soberana em Deus. A Razão, que fez com que as coisas existissem por Ele, faz com que continuem dependendo dele também enquanto existem e operam; e elas recebem continuamente dele aquilo que faz com que possuam alguma perfeição; mas o que lhes resta de imperfeição provém da limitação essencial e original da criatura.” * Mais em:

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