Após sair de Viena viajando através do Danúbio passando pelas margens onde repousa em uma região pantanosa frágeis mais abundantes salgueiros com suas folhas tremulando ao vento os navegantes em uma canoa canadense chegam ao território húngaro em direção às ilhas desertas, aos bancos de areia, ao pântano -- à terra dos salgueiros.
O livro inicia com a escrita quase lírica do autor, que já me conquistou em O Wendigo, mas que aqui flui melodiosamente no começo da jornada desses dois viajantes que atravessam cidades navegando o grande rio Danúbio e repousam em uma ilha repleta de salgueiros enquanto o rio segue seu percurso até o mar Negro.
O terror existente no livro é uma personificação dos medos mais profundos contidos na mente primitiva. Um medo visceral e um terror que circunda aquela ilha como se sempre tivesse estado lá apenas à espera de algum desavisado.
O clima alegre se transforma repentinamente e vemos a imaginação dos dois viajantes se agitar e algo sombrio tomar forma e contagiar tanto eles quanto a gente enquanto a leitura segue nos arrastando na direção do mais perturbador e apavorante horror.
Algernon Blackwood consegue suavemente nos jogar em um redemoinho crescente de sentimentos conflitantes e nos fazer compartilhar do terror experienciado pelos personagens com uma habilidade excepcional.
Elogiado pela crítica e pelo grande porém controverso criador do termo horror cósmico H. P. Lovecraft, Os Salgueiros é um livro instigante e maravilhosamente bem escrito que consegue envolver o leitor causando tremores e arrepios a medida que a leitura segue para seu ápice.
Recomendo esse conto magnético e bem escrito para todos que adoram sentir o medo crescente diante de uma história de horror bem contada.