- Pílula do aborto - Funk carioca: tá tudo dominado! - O nada que é tudo: número zero na história da ci~encia - Esportes radicais - Gladiador: análise da fantasia e ficção no filme E muito mais!
Superinteressante Nº 163 (Abril de 2001) - Vem aí a pilula do aborto
não informado
Dezembro de 2001
"A pílula da discórdia" Um dos pontos curiosos é o gráfico com diferentes visões sobre a etapa da gestação em que a vida é considerada ser humano, o que diverge opiniões entre a concepção (na 1ª hora), o estabelecimento embrionário no útero (12º dia, considerado por estudiosos como o início oficial da gravidez), o início dos batimentos cardíacos (por volta do 27º dia), início da vida fetal (8 semanas), detecção de ondas cerebrais (estimado no 42º dia) e, entre outros momentos, o próprio parto. Acredito que a discussão não deve centralizar-se nesse aspecto, pois além de relativo em termos práticos, ocasiona também debates calorosos que acabam se afastando do ponto principal: o aborto deve ser realizado? Muitas vezes vemos os fatos apenas numa linha que conhecemos como ideal e ignoramos outros aspectos. Por exemplo, aos que veem o ser humano desde a concepção, então os óvulos fecundados in vitro representam um ser humano? Se não, então seria lícito o uso de medicações abortivas que impediriam a fixação no útero? Se já é ser humano, por que ainda vão passar por barreiras que vão impedir ou facilitar o desenvolvimento de seu potencial na geração do ser vivo. Veja como nos pontos de vista há possibilidades de muitas discussões, relativo á visão de ser humano... O ponto é sobre direito de interromper ou não a gestação, onde a lei brasileira permite apenas nas situações de risco de vida para a mãe ou tiver ocorrido estupro. O debate é sobre a escolha, em aspectos como gravidez indesejada, feto defeituoso, alegação de razões sociais ou econômicas e até mesmo arrependimento. Quem deseja o aborto não está vendo a questão de ser humano, mas de não querer parir. Não sou favorável ao aborto, exceto no que a legislação estabeleceu. Se a reportagem visa proporcionar elementos para a postura teoricamente consciente de cada um, o meu é esse: use-se métodos preventivos para a gravidez e invista-se na educação, o que não está distante da realidade da sociedade em que vivemos. "Quem mudou a palavra que estava aqui?" Gostava dessa seção e dessa vez a etimologia que me pareceu mais curiosa foi sobre "medíocre" e "ordinário". Na atualidade tem contexto pejorativo, mas no início eram designações que retratavam algo normal, respectivamente referenciando algo "na média" e "na ordem". Segundo as notas, foi a competitividade da atualidade (imagino que por influência do capitalismo) que essa normalidade passou a ser vista como algo de pouca vantagem, pouco competitivo, que não se destacava no meio. Daí a associação a percepção nada elogiosa. Outra mudança de sentido ocorreu com "precário", que antigamente designava algo associado às preces, à fé para se conseguir. Com o passar do tempo, a visão de que fé sem ações práticas eram insuficientes foi se estabelecendo e precário ficou com o sentido de algo insuficiente. Todas essas palavras vem do latim. "Segura o funk!" No contexto de 2000 e 2001 o funk carioca explodiu na mídia e a abordagem faz uma análise correlacionando a um rito de enaltecimento a sexualidade e acasalamento. Não é para menos, tudo que há nele potencializa o aspecto: música, coreografiass, letras, vestimenta. Um ponto curioso e discutível é que o erotismo que se estabeleceu teria vindo para substituir o excesso de violência. Parece até que seria algo libertador e nem citaram as associações que estabeleceu com contravenções... Leitura no contexto da pandemia em Macapá...
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