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    Os seis meses em que fui homem -

    Rose Marie Muraro

    Rosa dos Tempos
    2020
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9786555871500
    Português Brasileiro
    3.6
    44 avaliações
    Leram88Lendo9Querem213Relendo0Abandonos8Resenhas6
    Favoritos1Desejados213Avaliaram44

    Em Os seis meses em que fui homem, a Patrona do Feminismo Brasileiro, Rose Marie Muraro, apresenta um ensaio vivo e atual, que tem como mote a participação da autora como candidata a deputada federal na Constituinte de 1988. Publicado pela primeira vez em 1990, oferece um olhar sobre o tempo histórico que nos ajuda a entender como o feminismo chegou até aqui. Uma análise rica de informação nos campos da antropologia, da arqueologia, da história, da política e da física, com o fio condutor da cultural diferença sexual, surge como um turbilhão de possibilidades. Segundo Rose Marie Muraro, Os seis meses em que fui homem “é [...] uma catarse. Quis escrever tudo o que sei sobre o mundo masculino para que os homens e mulheres possam compreendê-lo como eu o vi [...]. Porque continuo no mundo masculino, mas rejeito-o radicalmente. E com ele também rejeito o outro lado, o mundo doméstico que o sistema destinou à mulher e que é o suporte deste sistema. Porque a casa é boa, porque ela é um oásis num mundo assassino, é que este mundo ainda não explodiu. Quero, sim, um mundo novo. Mas, para conhecer esse mundo, é preciso que você entre comigo na emoção das dimensões do poder que eu vivi.” Para a filósofa Marcia Tiburi, que assina a apresentação do livro, “Rose Marie Muraro foi tão importante para nós como Simone de Beauvoir foi para a França; como Maya Angelou, para os Estados Unidos; como Rosa Luxemburgo, para a Alemanha; para citar alguns nomes bem fortes, que nos ajudam a situar a grandeza dessa personagem histórica fundamental na história do feminismo brasileiro.” Rose Marie Muraro era um verdadeiro espírito livre. Com este livro, ela nos ajuda hoje a encontrar um espelho no qual as mulheres brasileiras possam se olhar com respeito e amor a si mesmas. Rose Marie Muraro (Rio de Janeiro, 1930 – Rio de Janeiro, 2014) foi escritora e editora brasileira, com formação em física e em economia, pioneira no movimento feminista dos anos 1970. Editora da Vozes durante a ditadura civil-militar, foi responsável por lançar livros contestadores, ligados ao feminismo e à esquerda da Igreja católica. Fundou as editoras Espaço e Tempo e a Rosa dos Tempos, que é a primeira casa editorial feminista do país. É autora de mais de quarenta títulos e recebeu diversas honrarias, entre elas, o Prêmio Bertha Lutz e o título de Patrona do Feminismo Brasileiro.

    Edições (3)

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    Resenhas (6)Ver mais
    Suzani picture
    Suzani24/07/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Os Seis Meses em que Fui Homem

    Quando resolvi ler esse livro, imaginava uma outra coisa. Acho que uma análise mais compartimentada. Mas não é, pois a autora lança mão de uma pesquisa de campo, de análise sociológica e histórica, mas principalmente da psicanálise, que foi o que mais me impressionou, talvez por eu conhecer muito pouco. Mais para o final do livro consegui compreender melhor onde todas essas linhas vinham dar. O livro fez mais sentido. (…) Podemos, pois, começar a inferir que a identificação sexual que se processa na espécie humana varia muito de cultura para cultura. Ela não é natural, mas produzida, fabricada, de acordo com a relação que essa cultura precisa ter com a sua forma de sobrevivência. (…) Dessa forma, vemos por que só o desejo tem força suficiente para transformar a história que foi feita pela sublimação, que serve ao poder, e só a entrada do desejo na história e na cultura é capaz de reunificar os instintos em briga inconsciente entre si. Assim e só assim a vida humana poderia não ser baseada na repressão, e, portanto, não se destruir. Gostei, mas sinto que uma releitura me traria maior compreensão.

    15 curtidas

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    3.6 / 44
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas61%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas7%
    Rose Marie Muraro profile picture

    Rose Marie Muraro

    Rose Marie Muraro (Rio de Janeiro, 11 de novembro de 1930) é uma intelectual e feminista brasileira. Nasceu praticamente cega, sua personalidade singular deu-lhe força e determinação suficientes para tornar-se uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo. Estudou Física, esta escritora e editora publicou diversos livros polêmicos, contestadores e inovadores do ponto de vista dos valores sociais modernos. Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida por seus ideais. Sua atuação intensa no mercado editorial é fruto de uma mente libertária cuja visão atenta da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade. Suas idéias refletem-se na vida pessoal desta mulher notável; há pouco tempo, Rose Marie Muraro desafiou seus próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez. "Sei hoje que sou uma mulher muito bonita." Oriunda duma das mais ricas famílias do Brasil nos anos 1930/40, aos 15 anos, com a morte repentina do pai e conseqüentes lutas pela herança, rejeitou sua origem e dedicou o resto de sua vida à construção de um novo mundo: mais justo, mais livre. Nesse mesmo ano conheceu o então padre Helder Câmara e se tornou membro da sua equipe. Os movimentos sociais criados por ele nos anos 40 tomaram o Brasil inteiro na década seguinte. Nos anos 60, o golpe militar teve como alvo não só os comunistas, mas também os cristãos de esquerda. A editora Vozes é um capítulo à parte na vida de Rose. Lá, trabalhou com Leonardo Boff durante 17 anos e das mãos de ambos nasceram os dois movimentos sociais mais importantes do Brasil, no século XX: o movimento de emancipação das mulheres e a teologia da libertação - até hoje, base da luta dos oprimidos. Nos anos 80, presenciou a virada conservadora da Igreja. E em 1986, Rose e Boff foram expulsos da Vozes, por ordem do Vaticano. Motivo: a defesa da teologia da libertação, no caso de Boff e a publicação, por Rose, de seu livro Por uma erótica cristã. Rose Marie Muraro foi eleita, por nove vezes, A Mulher do Ano. Em 1990 e 1999, recebeu, da revista Desfile, o título de Mulher do Século. E da União Brasileira de Escritores, o de Intelectual do Ano, em 1994. O trabalho de Rose, como editora, foi um marco na história da resistência ao regime militar. Por conta dele, recebeu, recentemente, do Senado Federal, o prêmio Teotônio Vilela, em comemoração aos 20 anos da anistia no Brasil. Foi palestrante nas universidades de Harvard e Cornell, entre tantas outras instituições de ensino americanas, num total de 40. Editou até o ano 2000 o selo Rosa dos Tempos, da Record. É cidadã honorária de Brasília (2001) e de São Paulo (2004). Ganhou o Prêmio Bertha Lutz (2008), e principalmente, pela Lei 11.261 de 30/12/2005 passada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da república, foi nomeada Patrona do Feminismo Brasileiro. Rose Marie Muraro tem 5 filhos e 12 netos, frutos de um casamento de 23 anos.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Rose Marie Muraro