A teoria do dinheiro em Marx -

    Isaak Illich Rubin

    ICP - Instituto Caio Prado Jr.
    2020
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-13: 9786587543031
    Português Brasileiro

    Estudos sobre a teoria do dinheiro de Marx é um manuscrito inacabado de Isaak Rubin, um dos intérpretes mais originais da teoria marxista do valor. O livro trata de uma das questões mais controvertidas de O capital – o estatuto do dinheiro em seu complexo arcabouço teórico. Descoberto em 2011, mais de oitenta anos depois de sua redação, o trabalho apresenta a teoria do dinheiro e a teoria do valor de Marx como duas dimensões inextrincáveis do modo de funcionamento de uma economia baseada em produtores independentes de mercadoria. A reflexão que Rubin não pôde concluir, mas que foi deixada em avançado estado de elaboração, pode ser vista como um capítulo inédito de seu magistral livro A teoria marxista do valor. A teoria do valor trataria da unidade do processo de produção, distribuição e circulação de mercadorias de uma economia monetária a partir da perspectiva do todo. A teoria do dinheiro seria seu complemento necessário, estabelecendo como os atos individuais de compra e venda, mediados pelo dinheiro, realizam a unidade do processo social de produção. Para a crescente legião de estudiosos que busca em O capital um método e uma teoria para compreender a barbárie de nosso tempo e o meio de superá-la, o texto que agora chega ao público brasileiro é um verdadeiro tesouro. Estudos sobre a teoria do dinheiro de Marx enriquecerá o debate não apenas sobre a natureza e as funções do dinheiro numa economia monetária – um dos maiores fetiches do modo de produção baseado na valorização do valor –, mas também sobre o método e a gramática de Marx em sua obra magna. Plínio de Arruda Sampaio Jr. Professor aposentado do Instituto de Economia da UNICAMP Editor da plataforma “Contrapoder”

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    Raul Araújo Silva04/06/2025Resenhou um livro
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    Retomar a função social das coisas: como Rubin aborda o dinheiro seguindo o materialismo histórico-dialético

    Rubin conduz a sua formulação nas obras marxianas, resgatando o que é fundamental nelas: a teoria social que conduz Marx às suas conclusões. E essa teoria social, assim como todo o sistema marxista, assenta-se no método materialista histórico-dialético. Ao resgatar o caráter social da teoria marxiana, especialmente as funções sociais das coisas (do valor, do capital, do dinheiro), ajuda a combater as visões idealistas, as ilusões da metafísica, sobre o que é o mundo. Enquanto esses vêem o mundo como algo dado, estático, nós, com o materialismo histórico-dialético, o vemos como algo vivo, em constante mudança. E isso devido a luta dos contrários. A isso se soma o combate ao individualismo, o subjetivismo, aquelas concepções que tentam resumir os acontecimentos objetivos em fruto do pensamento ou do sentimento das pessoas. Ao final da obra, Rubin destaca como Marx coloca a questão da ganância, por exemplo. O dinheiro advém das relações sociais de produção estabelecidas previamente. Apesar de ser um produto dessas relações, agora "ele" (entenda-se que essa forma personificada é fruto do processo de reificação) também força essas relações a se reproduzirem, força pessoas a acumularem dinheiro, etc. Um problema, porém, na obra de Rubin é que, especialmente ao final, destaca-se o material do dinheiro. Rubin fala das mercadorias de luxo que, feitas de ouro, podem ser "facilmente" convertidas em moeda, em dinheiro. O que diria ele hoje vendo um bloco de papel-moeda, de dólar, de euro, de real? Essas notas são feitas de papel, que são obrigatoriamente impedidas de retornar à circulação se fizermos um cubo maciço delas. Essa questão merece melhor investigação, contudo, em avaliação inicial, acho que aqui Rubin foca muito na forma corpórea da riqueza cristalizada, mas pouco na sua alma. Hoje, as obras de arte caríssimas têm o mesmo papel, apesar de não serem feitas de ouro ou de papel-moeda.

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