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    A casa das sete mulheres (A casa das sete mulheres #1) -

    Leticia Wierzchowski

    Record
    2008
    516 páginas
    17h 12m
    ISBN-13: 9788577990559
    Português Brasileiro
    4.3
    3760 avaliações
    Leram5785Lendo315Querem4813Relendo14Abandonos264Resenhas377
    Favoritos88Desejados4813Avaliaram3760

    A casa das sete mulheres mescla realidade e ficção num romance que usa magistralmente a Revolução Farroupilha e o Rio Grande do Sul dos meados do século XIX como pano de fundo. O livro descreve as aventuras de sete gaúchas da família do general Bento Gonçalves, chefe da revolução que pretendia separar o Sul do resto do país. Após o início do conflito, Bento Gonçalves manda a esposa, filhas e tias para uma propriedade à beira do Rio Camaquã, no interior da província. Na Estância do Brejo, local de difícil acesso aos inimigos da revolução, elas deveriam esperar o desfecho do conflito. Letícia Wierchowzki mapeou os acontecimentos reais que marcaram a vida dessas mulheres e mesclou-os a passagens ficcionais perfeitamente inseridas no universo da história gaúcha. Mas a revolução foi respeitada em toda a sua grandeza. As sete mulheres viveram todos os percalços e alegrias que os simpatizantes dos revolucionários vivenciaram naquela época. Apesar de uma certa essência feminina, A casa das sete mulheres é um livro repleto, também, de cenas de batalha, passagens notadamente guerreiras, masculinas, frias, de pampa, de sangue e de morte. A estrutura do livro segue os passos da revolução: dez anos de confrontos, dez capítulos. Um pouco da trama é conduzida pelo diário mantido por Manuela de Paula Ferreira, sobrinha de Bento Gonçalves. O livro traz uma história dentro da outra, cada enredo completando outro. A trama de sete mulheres, a vida de seus homens, tudo dentro de uma casa - e esta casa à mercê de um pampa sangrento e belicoso. Nessa casa se desenrola a história de três gerações da mesma família, que estarão eternamente confusas dentro daquele espaço, criado sem nenhuma lógica.

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    Resenhas (377)Ver mais
    Fernanda Nunes Dos Santos picture
    Fernanda Nunes Dos Santos31/05/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Amores, esperanças e perdas

    A casa das sete mulheres mostra nada mais do que a espera e a guerra, não tem como ponto principal os ganhadores e as frentes de batalhas, porém mostra o que está por trás de tudo isso, mostra a família dos grandes guerreiros e soldados, mostra as longas esperas, que parecem nunca ter fim. O amor que se perde, e perca é o que mais se acontece nas guerras, a mulher que perde o marido, o filho, o irmão, o primo, o tio. E não são apenas as percas pessoais, são também as percas emocionais. A guerra seca a vida, corroe a fé, a esperança e também o amor. Espera-se por homens que talvez, jamais voltarão. Os filhos crescem sem o pai, tendo o como um visitante, em alguns momentos da frágil vida. Perde-se um pouco da infância, e muito mais da adolescência e da sanidade. Isso é o que o livro nos conta em suas páginas de espera. A espera de um bilhete, de um recado, de uma rápida aparição, a espera do amor. O mais triste de todo o livro, não foi nem o fato de Manuela ter morrido como a "noiva de Garibaldi", pq esse, foi o fim que ela mesma lhe traçou, mas foi por Caetana, que esperou amargamente por seu Bento Gonçalves, que voltou para casa, já velho e doente, sem forças para viver. Totalmente desapontado com a guerra. 10 anos da vida de Bento e Caetana foram enterrados, pela espera e a vontade de um dia poder voltar. Apesar de não ter morrido fisicamente com a guerra, Bento morreu espiritualmente a cada dia em que a guerra durava, seu corpo físico foi sepultado 2 anos depois, porém ele já estava morto, desde antes do fim da guerra, Bento já havia morrido, e com certeza, Caetana já sabia disso, devido sua angustia pelo marido, mas ela sabia a quem amava, sabia que Bento era da república, e mesmo assim ela esperou e anciou por sua volta a cada dia, com suas rezas, com sua família e principalmente o amor. O amor que não era como o de Manuela por Garibaldi, o de Rosário por Steban, o de Mariana por João, ou o de Perpétua por Inácio, mas era um amor que suportou todos os enlaces da guerra, todo o medo da perda, suportou tudo, até mesmo as traições, mas mesmo assim ela desejou por Bento todo os momentos, não que suas cunhadas não esperassem pelos maridos, mas eles morreram nos primeiros anos da guerra, apesar da dor que elas sentiram, acostumaram-se com a perda, já Caetana não, ela não perdeu o marido fisicamente na guerra, mas no decorrer dos 10 anos, foi como se matasse o seu amado a cada dia, torturando-a com o passar do tempo. E para mim, essa foi a dor que mais senti, de saber que depois de anos, Caetana que tanto esperou por seu Bento, já o havia perdido sem que ela soubesse de verdade, mas que involuntariamente já o sabia disso.

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