Um mergulho nos anos 60 dos EUA
A história é toda narrada da perspectiva de Garrett, um professor universitário de psicologia comportamental (behaviorista), que vive em Nova York nos anos 60. Ele é bastante alienado da vida política e cultural do país. Vive uma vida confortável, mas monótona. Carrega o trauma da morte do pai lutando na guerra, a inveja do melhor amigo que se especializou em psicanálise e ganha muito mais que ele, e não consegue se entregar a nenhum relacionamento desde o trauma do seu primeiro casamento, que começara e acabara de forma trágica com uma gravidez adolescente e a morte da criança logo depois do nascimento. Um dia, lendo um livro de Schrödigen em uma livraria, ele conhece Daphne, uma menina de 16 anos que pegou o mesmo livro pra ler, e a partir daí sua vida começa a se transformar. Desde o início a menina atrai grande atenção dele, que passa a nutrir sentimentos paternais por ela. Conforme a reencontra, no entanto, vai notando que nem sempre a Daphne que ele encontra é a mesma garota, e começa a desconfiar que ele está encontrando múltiplas versões de Daphne, como se universos paralelos estivessem fundidos em um só. No desenrolar da história, a autora introduz uma série de referências culturais e sociopolíticas dos anos 60, incluindo conceitos da psicanálise, da física quântica, do behaviorismo, eventos como Woodstock, os protestos de 68, a guerra do Vietnã, o uso de drogas sintéticas, os Beatles, etc. A ideia é muito boa, mas em alguns momentos a narrativa fica um pouco lenta e com excesso de explicações. O final é um pouco frustrante, vários mistérios são deixados em aberto, o que pareceu uma “saída fácil” para o livro, algo que eu pessoalmente não curto tanto.
