Vida de Gato -

    Clara Averbuck

    Authoria Agência Literária & Studio
    2019
    78 páginas
    2h 36m
    ISBN-10: B07Z9LNBT8
    Português Brasileiro

    "Segunda-feira. Voltei à minha dieta: nenhum sono, muitas pílulas, pouca comida. Nenhum dinheiro, nenhum calor, nenhum amor para me esquentar naquelas manhãs geladas do inverno de São Paulo. Vinho, bastante vinho. Uma cadeira vazia no meio do meu coração. Um monte de pensamentos bobos, um monte de fotos na minha cabeça. Nuvens nos olhos. Preciso tirar essas lentes baratas. Dias de olhos arregalados e anfetaminas amigas. Dias de hiperatividade mental, de escrever como uma maluca no meu computador de colo. Dias de me afogar em mim. Dias sujos, como água parada num pântano de noites mortas. Dias arregaçados pela luz que invade a janela do apartamento. Dias vazios, que simplesmente são. Dias sem ti, seu merda. Dias sem ti. Sem ti." Em Vida de gato, Clara Averbuck conta a história de Camila, que vive uma paixão alucinada e obsessiva por Antônio. Rejeitada pelo amado, ela narra o dia após dia depois do pé na bunda como quem não tem medo de viver – ou morrer – de amor até o fim. Assim como Los Angeles acolhe o apaixonado Bandini de Fante, São Paulo é o cenário em que Camila afoga as mágoas de boteco em boteco, e é também quem testemunha seu desvario e sua dor. Uma cidade amada e odiada que, como Antônio, parece tripudiar do seu coração.

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    Luisa Pinheiro picture
    Luisa Pinheiro18/10/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Camila nem era tão louca assim

    Quando meu namorado me perguntou sobre o que era o livro, pensei por um tempinho e respondi "História de uma mulher que levou um pé na bunda". Falei pouco, talvez na onda do twitter. Só sei que ele perguntou por que pessoas escrevem livros sobre isso e meio que riu. Pensei melhor e vi que não dá pra resumir a história de Camila, a protagonista, como um simples pé na bunda. Quis ler pra ver se entendia o que leva uma mulher a passar tanto tempo sofrendo por um cara, a definhar por um amor que ela sabia que nunca tinha sido correspondido e, mesmo assim, se deixou iludir. Acho engraçado alguém viver assim sem muita perspectivas, se deixando levar pelo dia-a-dia, acumulando dívidas no bar preferido... Porque acho engraçado tudo que me parece estranho. Como sentir frio nas mãos. Mas, por outro lado, gostava da Camila porque ela conquistava as amizades mais interessantes e inusitadas. Como o caixa do bar predileto que guardava os cartazes de filmes para ela. No começo, você acha a protagonista uma louca. Como alguém vive sem dinheiro e ainda viaja por aí? Como gasta 100 reais numa bota e guarda 50 pra se sustentar por um bom tempo? Como alguém ocupa o apartamento de uma velhinha sem pagar aluguel há séculos? E a família dela, cadê? Mas aí você se envolve com a história e com os pensamentos da Camila, já que o livro é narrado em primeira pessoa. Você começa a enxergar que nem todo mundo precisa do que você precisa pra viver. E que, dane-se, deixa a Camila viver do jeito felino que ela quer. Clarah Averbuck escreve tão bem que você nem se incomoda com os palavrões. E ela têm umas frases, umas linhas de pensamento geniais. Risquei meu livro inteiro.

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