Um livro que vai te fascinar ou causar um profundo desconforto existencial.
Facilmente o melhor livro que li este ano, até o momento (dentre 45, então não é pouca coisa essa distinção!). O autor era um neurologista com uma longa carreira e, nesta obra, conta vários casos (um por capítulo) em que trabalhou. O foco do livro é o público leigo, então apesar de um ou outro termo médico entremeado no texto, a leitura é bem fácil e, mais importante, muito interessante. Esse é o tipo de livro que fascina ou causa desconforto existencial, dependendo do tipo de leitor. Por que penso isso? Primeiro, porque foi o efeito que teve na minha irmã rsrs (mas no caso dela é porque ela é um tanto hipocondríaca). Segundo, porque, na minha visão, é impossível você ler sobre o cérebro e a mente humana sem ao menos tangenciar a seguinte questão: você não é uma entidade única e isolada (ou, pelo menos, não apenas isso), e sim um ser vivo, um organismo, um animal composto por partes. Isso é algo para o qual não damos atenção no dia-a-dia, sob condições normais; quando, entretanto, descobrimos que diversos aspectos de nossa personalidade, racionalidade e cognição estão associados a segmentos distintos de um órgão, não podemos mais ignorar o fato de que nós não estamos no nosso corpo, e sim somos o nosso corpo. Essa percepção tem uma série de consequências, que podem incomodar, por exemplo, leitores muito acostumados a pensar em alma ou mesmo mente num sentido metafísico, por isso o alerta. Se isso não o incomodar, vai gostar bastante do livro e não vai querer largar até terminar! Se for a sua primeira leitura do gênero, provavelmente será um divisor de águas na sua vida. Quem aí já leu? O que acharam?
