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    O Golem -

    Gustav Meyrink

    Carambaia
    2020
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9786586398175
    Português Brasileiro
    3.9
    45 avaliações
    Leram55Lendo1Querem127Relendo0Abandonos3Resenhas11
    Favoritos5Desejados127Avaliaram45

    É o Golem de Praga que dá título ao romance do austríaco Meyrink, publicado em 1915. Sua presença direta na trama é uma entre numerosas referências a tradições místicas e ocultistas, mas tem grande importância simbólica. É uma espécie de força irracional e destruidora que paira sobre as intrincadas vivências do personagem central, Athanasius Pernath, mestre joalheiro cujo passado é obscuro até para ele mesmo. Pernath vive no Bairro Judeu de Praga, onde se passa a maior parte da história. Um dos aspectos mais impressionantes do texto de Meyrink é a descrição desse ambiente lúgubre, de pouca luz natural, onde as construções angulosas parecem se amontoar, povoadas de figuras estranhas que habitam suas vielas, corredores, escadas e passagens ocultas. Entre essas figuras há personagens assombrosos: um sinistro vendedor de ferro-velho, uma esquálida prostituta adolescente, um surdo-mudo que recorta silhuetas em papel, um sábio versado no conhecimento religioso e sua filha encantadora, um marionetista e um jovem estudante com missão de vingança. Pernath se envolve em questões essenciais da vida desses personagens enquanto persegue uma busca da própria identidade por meio de indagações espirituais. Toda a narrativa é atravessada pelo tema do duplo, e os estudos do inconsciente, então em andamento por Sigmund Freud, encontram-se refletidos na fluidez narrativa de O Golem, em que realidade, sonho e alucinação convivem sem limites precisos.

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    Carolina Rodrigues picture
    Carolina Rodrigues16/02/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Impressões da Carol

    Lido: O Golem {1915} Autor: Gustav Meyrink {Áustria, 1868-1932} Tradução: Petê Rissatti Editora: Carambaia 304p. "No princípio era o Verbo" e da palavra, fez-se a criação. O mito da origem do homem atravessa diversas cosmogonias. Em Gênesis 2:7, Adão foi criado a partir do pó da terra; no Tratado Sanhedrin 38b, um texto talmúdico, ele foi moldado do barro, o Golem, como embrião do homem. Gustav Meyrink afasta-se dos textos religiosos e se inspira numa lenda popular. No século XIII, em Praga, um rabino, para defender a população judia de ataques antissemitas, insere um pergaminho mágico entre os dentes de um ser de barro, concedendo-lhe a vida. A palavra hebraica escrita era Emeth (verdade), que sem o E, vira Meth (morto). O Golem é o pano de fundo da narrativa, é a crença compartilhada pelos personagens de que a cada 33 anos, esse ser amorfo retornaria à Praga, incitando eventos abstrusos, nos quais a racionalidade não seria suficiente para explicá-los. A narração é dúbia, onírica, pois o narrador é o ourives Athanasius Pernath (ou seria um alter ego?, ou alguém que esteja sonhando?, ou vivendo a vida de Pernanth?, um duplo?), que teve parte de sua memória apagada como resultado de uma hipnose. Na tentativa de reconstruir sua identidade e sua memória, Pernath vê-se envolvido numa trama mística, em busca do conhecimento de si, orientado pelo arquivista Schemajah Hillel e sua filha Mirjan. Ao mesmo tempo em que se vê envolvido numa trama vingativa, armada pelo estudante de medicina Charousek contra o adeleiro Wassertrum. A construção narrariva é estupenda, o livro fisga o leitor, logo de cara. Você fica perdido querendo entender que cargas d'água está acontecendo (a própria Nazaré Tedesco, do meme) e, depois, quando você liga "lé com cré", a maravilha acontece. Isso porque nem me aprofundei na trama mística (uma mistura de Talmude com o Egito). Muito menos, do Golem. O uso que Gustav Meyrink faz da lenda o coloca no pedestal literário junto com Kafka, Lovecraft e, por que não, Dostoiévski. Bizarro e intrigante, um romance com diversas chaves de leitura possíveis. Um clássico, de fato. Indico com força! "Naquele momento, surgiu em mim uma suspeita sinistra: e se, no fim das contas, nós, seres vivos, fôssemos semelhantes àqueles pedaços de papel? Se talvez um 'vento' invisível, intangível, não estivesse nos levando para lá e para cá e do mesmo modo determinasse nossas ações, enquanto acreditamos, em nossa ingenuidade, estarmos em pé por vontade própria?" p. 45

    7 curtidas

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    3.9 / 45
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas2%
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    Gustav Meyer

    Gustav Meyrink, pseudônimo de G. Meyer, foi um escritor do gênero literatura fantástica. Aos dezesseis anos de idade, mudou-se para Praga a fim de iniciar seus estudos de administração e lá permaneceu algum tempo. Meyrink desenvolveu seu gosto pela literatura fantástica nesta época, quando influenciado pelo ambiente citadino em que se inseria. No início, suas obras eram como sátiras não muito sublimes a respeito da sociedade; depois, suas obras sofreram um aperfeiçoamento com toques de ocultismo e misticismo.

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    Gustav Meyer