A nota amarela - seguida de <i>“Sobre a escrita – um ensaio à moda de Montaigne”</i>

    Gustavo Melo Czekster

    Zouk
    2020
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9786557780121
    Português Brasileiro

    Na origem de tudo, uma nota. Galáxias, grãos de areia, você, eu: tudo foi criado pela nota amarela, a nota da Criação, o som perfeito. Quando a cellista Jacqueline du Pré sobe ao palco para o concerto mais emblemático de sua vida, parte em busca dessa nota, sem saber o preço por sua audácia. Enquanto executa o Concerto para Violoncelo de Elgar – regido pelo maestro Daniel Barenboim, com quem recém havia se casado –, Jacqueline mergulha no labirinto da própria mente, atravessando claridades e escuridões à procura da perfeição. O cello, vivo junto a seu corpo, por vezes é a tábua de salvação que a impede de se afogar; por outras, o traidor que aponta o caminho mais perigoso entre as pedras e as ondas. A performance da jovem e talentosa musicista junto à New Philarmonia Orchestra foi registrada pelo documentarista Christopher Nupen, um testemunho do arrebatamento proporcionado e sentido por ela, e o livro cumpre uma das mais importantes funções da literatura: trazer a palavra para dentro do vazio das imagens. Depois daquela tarde em 1967, a violoncelista mais famosa do mundo, que tocava para reis e presidentes, entenderia as consequências de sua busca pela nota impossível.

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    Paulo Silas Taporosky Filho24/02/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O que constitui a essência de tudo? O que representa o elemento mínimo do qual se tem todas as coisas? De onde ou do que é que tudo veio? Há quem diga que a nota amarela é a resposta - o elemento que deu origem a tudo o que hoje existe e ao que já existiu -, e a busca pelo alcance dessa nota é a empreitada sobre a qual se lança a protagonista desse livro. Mas não apenas. É que o livro traz em seu conteúdo dois livros. "A Nota Amarela" é um romance que traz a história de uma mulher que em meio a um concerto divaga consigo mesma e teta alcançar a nota amarela. "Sobre a Escrita: um ensaio à moda de Montaigne" é um ensaio metaliterário que também fala sobre o seu autor. De certa forma, um complementa o outro - o que não necessariamente faz com que o leitor tenha que ler ambos na busca por uma continuidade, como explica o autor na introdução da obra - mas sairá perdendo uma ótima história caso assim faça. De qualquer forma, qualquer que se lance nas páginas desse excelente livro sairá maravilhado com as linhas que o preenche. Em "A Nota Amarela", o autor dá vida em sua obra para a violoncelista Jaqueline du Pré. É uma peça ficcional que se passa com alguém real em uma situação real com elementos reais. Nesse sentido, realidade e ficção se misturam de uma maneira singular no romance. A história é contada pela perspectiva da protagonista no decorrer da famosa apresentação do concerto para violoncelo de Elgar op. 95 - que foi conduzido pelo maestro (e seu marido) Daniel Barenboim e filmado em 1967 - em que Jaqueline foi solista. Um minutos antes, um minutos depois e todos os trinta minutos da apresentação (em ordem decrescente) aparecem como divisor dos capítulos da história, pelos quais o autor narra tanto a dinâmica da concerto quanto as digressões tantas feitas por Jaqueline - que em meio à reflexões sobre sua vida e o universo, parte em busca da nota amarela. Já em "Sobre a Escrita: um ensaio à moda de Montaigne" o autor aborda muito sobre a questão do processo criativo e de escrita, assim fazendo, como o titulo sugere, ao melhor estilo de Montaigne - que fornece o chão de amparo no qual pisa firme Gustavo. Para além da explanação sobre o criar e escrever literatura, o autor compartilha um pouco da sua vida, cujos eventos relatados ajudam muito a explicar todo esse processo que culminou na escrita do romance presente na obra. Gustavo Melo Czekster é escritor por excelência. Depois de "O Homem Despedaçado" e "Não Há Amanhã", seus dois primeiros livros de contos, aparece agora com esse fenomenal "A Nota Amarela: seguida de "Sobre a Escrita: um ensaio à moda de Montaigne"", que atrai e encanta desde as primeiras linhas introdutórias. Fazer uma escrita atraente em um romance que se passa num ambiente em que os personagens não saem do lugar, pois os movimentos permitidos são apenas aqueles necessários para conduzir seus instrumentos musicais, é um feito para poucos, feito esse habilmente alcançado por Gustavo. O romance e o ensaio da obra agradam o leitor - ambos divertem, fixam a atenção e muito ensinam. Se já existiam bons motivos e provas para situar o autor como um excelente contista, essa obra evidenciou que é um escritor nato qualquer seja o gênero que escreva. Um dos grandes nomes da literatura nacional contemporânea que merece ser lido e debatido - "A Nota Amarela" é mais um argumento probante que evidencia isso.

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