Não quero repetir a resenha do primeiro volume aqui, mas preciso lembrar que em Sunny não temos olhos grandes, lutas, samurais, ninjas ou guerreiras mágicas. Temos um lado completamente diferente dos mangás populares e a chance de conhecer um lado obscuro do Japão. Nem tudo é kawai, tecnológico e tradicional, Sunny é o mundo real que não está na imagem que temos da "terra do sol nascente".
Assim como no primeiro número veremos capítulos que mostram mais a relação das crianças do Jardim Escola Hoshinoko e capítulos que as desenvolvem de forma individual. Haruo comete pequenos furtos pelas lojas da cidade. Sei lê as cartas da mãe, mas um dia para de recebê-las. Junsuke cuida do irmão, Shosuke, mal sabendo cuidar de si mesmo. Megumo faz amizade com as crianças das casas, mas fica triste quando a amiga Kiiko conta os dias para ir embora do orfanato... E cada capítulo nos surpreende de maneiras diferentes ao longo das páginas. Alguns deixando aquele nó na garganta e outros um pequeno sorriso no canto da boca, mas os olhos marejados.
O Jardim Escola Hoshinoko não se parece com o orfanato da clássica novela, e nos coloca a pensar sobre as instituições semelhantes aqui do Brasil. É uma história carregada de emoção e significado que nos mostra a potência das histórias em quadrinhos.
PS: se você, a primeira vista, não gostar do traço solto do Matsumoto, apenas olhe de novo, repare nos detalhes, nas expressões das personagens e nos planos fechados. A ideia de "desenhos bonitos" que temos, pode se tornar muito mais abrangente ao admirar a arte deste mangá.