O terceiro volume da coleção “Eras” de Eric J. Hobsbawm aborda os anos de 1875 a 1914, o final do período conhecido como “o longo século XIX”. Foi um período de relativa paz na Europa sem grandes conflitos envolvendo as principais potências.
Também foi o período de surgimento de dois novos Estados que se unificaram tardiamente: a Itália e a Alemanha, que viria a rivalizar com a Inglaterra pela supremacia na Europa. A Inglaterra, até então a única grande potência incontestável, com a marinha mais poderosa do mundo e dona de um vasto império colonial via sua supremacia ser contestada: as outras potências europeias se industrializavam e os Estados Unidos cada vez mais se firmavam como uma nova grande força político-econômica.
Enquanto isso, a França perdia espaço nesse jogo de xadrez geopolítico, assim como os antigos e decadentes grandes impérios da Europa: o Império Russo, o Império Otomano e o Império Austro-Húngaro.
Com o surgimento de novas potências, estas passaram a disputar com as antigas potências por novos territórios para construirem seus próprios impérios coloniais. Assim, o clima na Europa era que uma guerra era iminente e bastou o assassinato de um nobre austríaco para que um conflito que mataria pelo menos 20 milhões de pessoas fosse deflagrado. Conflito esse que começaria em 1914 e terminaria em 1918, mas não de forma satisfatória e deixando inúmeras pendências que inevitavelmente acarretariam em uma outra guerra mundial 21 anos depois.
Hobsbawm é sem dúvida uma leitura obrigatória para compreender o mundo atual.