Deste segundo ônibus tenho reminiscências das primeiras estórias que li - títulos avulsos publicados pela editora Abril -, mas até o momento, apenas a primeira, de número 27, Sangue de Bel-Hissar, é digna de nota, tanto na argumentação quanto nos desenhos. Sou da prole que acho insuperável a fase Roy Thomas e Barry Windsor Smith, mesmo sendo um fã inconteste da arte do excepcional John Buscema.
Aa fazer Conan perambular através do vasto oriente Khitanes hiboriano, Thomas entrega uma das melhores estórias desde que seu parceiro de lápis Smith, deixou o título (CTB 32, Ventos de Fogo na Perdida Khitai). Começa a se tornar evidente que a serialização faz bem a escrita de Thomas, dando a possibilidade de um maior desenvolvimento dos personagens, deixando-os mais verossímeis, o que estórias contidas em apenas uma edição pecam em entregar. Enfim Thomas compensa meu saudosismo com a inebriante adaptação de "A Maldição do Crânio de Ouro", uma adaptação de um conto de L. Sprag de Camp e Lin Carter, que conta com um coadjuvante de peso: o portentoso Juma. Acresça a isso a espetacular arte de Neal Adams e a fatura está fechada com saldo mais que positivo.
Temos um hiato sem Buscema, mas quando este retorna e assume tanto o lápis quanto a arte final, demonstra porquê é um mestre da ilustração. Seu Conan solo têm a agudeza, audácia, melancolia e jovialidade que me conquistaram em minha juventude. Após ficar órfão das clássicas histórias da dupla Thomas e Smith, com um Conan tentando encontrar seu caminho após as atrocidades do cerco de Makalet, eis que a nova dupla - Thomas e Buscema - encontrou o tom certo e mostrou porque sua passagem pelo título do cimério se tornou uma das mais aclamadas.
Não consigo expressar o quão bom é ler e reler algumas das estórias do cimério presentes neste volume. Thomas se imortalizou ao tratar tão bem um personagem. Ao mesmo tempo em que adaptava contos e romances de outros autores, inseria sua própria narrativa, concatenando tramas clássicas ao mundo que ele próprio ia forjando.