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    O amante -

    Marguerite Duras

    Tusquets
    2020
    115 páginas
    3h 50m
    ISBN-13: 9786555350784
    Português Brasileiro
    4.1
    28 avaliações
    Leram41Lendo0Querem25Relendo0Abandonos0Resenhas9
    Favoritos2Desejados25Avaliaram28

    Prêmio Goncourt em 1984, com mais de 2 milhões e meio de exemplares vendidos apenas na França, Romance autobiográfico que acompanha a tumultuada história de amor entre uma jovem francesa e um rico comerciante chinês na Indochina pré-guerra. Com uma prosa intimista e certeira, Duras evoca a vida nas margens de Saigon nos últimos dias do império colonial da França e relembra não só sua experiência, mas também os relacionamentos que separaram sua família e que, prematuramente, gravaram em seu rosto as marcas implacáveis da maturidade.

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    Resenhas (9)Ver mais
    Lucas Batista picture
    Lucas Batista11/03/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Curto, talvez prolixo, com certeza bem escrito.

    Existem 2 motivos pelos quais eu recomendo a leitura desse livro: 1 - O livro se passa em um período e local pouquíssimos usuais nas histórias; a Indochina Francesa pré e pós guerra. Sendo assim, a perspectiva social é interessantíssima, pois aquele local foi muito pouco usual, possuindo um forte traço racista com os orientais, porém com os próprios orientais sendo, muitas vezes, mais ricos que os europeus que ali residiam. 2 - A técnica narrativa empregada aqui pela autora é extremamente difícil, tratando as lembranças, presente, reflexões e descrições sempre na 1 pessoa e no tempo presente, ou seja, é como se a autora ficasse "viajando no tempo" das suas narrativas e sempre estivesse narrando algo no ato, descartando a necessidade de maiores explicações. Desnecessário dizer que se a autora não possuísse um domínio narrativo incrível, isso poderia facilmente ter transformado todo o livro em um conjunto de reflexões sem sentido. Penso que seja um livro que não agrade a todos, mas que vale a pena ser "experimentado". Aqui um trecho do qual gostei muito: "Seria preciso avisar as pessoas dessas coisas. Ensinar que a imortalidade é mortal, que ela pode morrer, que já aconteceu, que acontece ainda. Que ela não se anuncia por si mesma, nunca, que é a duplicidade absoluta. Que não existe no detalhe, mas somente no princípio. Que certas pessoas podem contê-la em si, desde que ignorem o fato. Assim também outras pessoas podem descobrir sua presença nos outros, com a condição de ignorarem seu poder. Que é enquanto se vive que a vida é imortal, enquanto ela está viva. Que a imortalidade não passa de uma questão de mais ou menos tempo, que não se trata de imortalidade, mas de outra coisa ainda ignorada. Que tanto é falso dizer que ela não tem começo nem fim, quanto dizer que começa e acaba com a vida do espírito, uma vez que ela participa do espírito e da busca do vento. Vejam as areias mortas do deserto, o corpo morto das crianças: a imortalidade não passa por eles, para e os contorna".

    7 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 28
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas0%
    Marguerite Duras profile picture

    Marguerite Duras

    Marguerite Duras (pseudônimo de Marguerite Donnadieu) nasceu em 1914, em Gia Dihn (Vietnã), onde passou sua infância e adolescência. Após a morte do pai , em 1918, a mãe de Duras conseguiu uma pequena concessão de terra no Camboja (então colônia francesa), mas o terreno se mostraria incultivável e sua família viria a perder quase tudo com a chegada das enchentes. Esses dias na Ásia marcaram profundamente a vida de Duras. É a respeito dessa época uma de suas obras mais importantes, Barragem Contra o Pacífico (1950). O seu pai morreu quando tinha quatro anos de idade, e a sua mãe, uma professora, lutou arduamente para criar três filhos sozinha. Durante a adolescência, Marguerite Duras teve um caso com um homem chinês rico e retorna mais tarde a este período nos seus livros (nomeadamente O Amante e O Amante da China do Norte). Aos 17 anos viajou para França, onde estudou Direito e Ciência Política no Sorbonne, formando-se em 1935. Durante a II Guerra Mundial, marguerite Duras tomou parte da da Resistência Francesa, filiando-se também no partido comunista. Duras publica os seu primeiros livros em 1943 e 1944, Os Imprudentes e A Vida Tranquila, respectivamente. A partir de 1959 começa também a escrever argumentos para o cinema, dos quais Hiroshima meu amor é sem dúvida o mais conhecido e marcante. Em 1950, com Uma barrangem conhtra o Pacífico, Duras esteve muito próxima de ganhar o Prémio Goncourt. É no entanto apenas 30 anos depois que a injustiça lhe é reparada, ganhando o prémio por unanimidade com o romance O Amante. É uma autora muito fértil, com uma obra literária vastíssima, desde os romances aos argumentos cinematográficos. Afirma-se sempre com um estilo de beleza inconfundível, num tom duro e denso, por vezes até um pouco inacessível, mas sempre numa expressão profundamente genuína e humana das paixões, grandezas e misérias da vida. Marguerite Duras é por excelência uma escritora da condição humana, mas contudo não procura utilizar a escrita como forma de redenção e/ou salvação; antes, a escrita é uma exigência urgente, um valor supremo em que reside, uma vontade bruta de falar de si. As suas obras estão repletas de descrições belíssimas e soberbamente envolvidas na ambiência exótica da paisagem oriental, não sem deixarem reconhecer uma intensidade angustiada e desesperada, oriunda de uma constante luta da autora com as questões do amor e da morte. Durante a década de 1980, Marguerite Duras apaixona-se por Yann Andréa Steinner, um homem 38 anos mais novo. Duras viverá com Yann até à sua morte em 1996, mas não sem antes atravessar um duro período em que permaneceu junto do seu marida Robert Antelme, depois de este ter sobrevivido milagrosamente a uma captura pela Gestapo. Este período serviu de base para uma colecção de histórias curtas, intitulada A Dor (de 1985), um grito literário sobre a pressão sob que viveu.

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    Marguerite Duras