Em "Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico", os autores procuraram demonstrar através de diversos artigos uma definição mais aprofundada do que é o neoliberalismo e como esta doutrina é responsável por grande parte dos problemas encontrados na sociedade do século XXI. Mais do que uma uma teoria econômica, como é popularmente conhecido, o neoliberalismo consiste numa racionalidade política específica que requer que a lógica do capital seja imposta em todas as esferas, de maneira a eliminar subjetividades e produzir seu próprio discurso acerca do que é aceitável socialmente, a fim de definir uma norma das existências. Para isso, depende da produção de sujeitos que entendam como naturais os sofrimentos sociais que garantem sua hegemonia, logo, há uma mudança na maneira de se entender o sofrimento em si. Com um discurso híbrido entre psicologia e economia, houve uma reconfiguração do sofrimento psíquico, e, assim, o sujeito foi coagido a internalizar um controle de si mesmo a partir de critérios observados no universo de administração de empresas, ou seja, possui a falsa liberdade de ser um empreendedor de si mesmo, devendo otimizar o potencial de todos seus atributos valorizáveis, e, caso falhe, a responsabilidade de seu fracasso é inteiramente sua. Repleto de angústia e sentimentos de autoculpabilização, o indivíduo tem agora seu sofrimento tirado de seu contexto social e patologizado pela psiquiatria, que junto com a indústria farmacêutica e com o neoliberalismo, lucra com os inúmeros diagnósticos e suas respectivas medicações indicadas. O livro é muito completo e extremamente informativo, algumas vezes tive dificuldade em entender alguns conceitos, mas no geral os argumentos foram expostos de maneira clara e coerente. A leitura foi extremamente produtiva para mim, não fazia ideia de vários pontos relatados na obra e sinto que aprendi muito em poucas páginas. Recomendo ler e ir fazendo anotações, assim é possível absorver melhor os aprendizados.