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    Dois tratados sobre o governo -

    John Locke

    Martins Fontes
    2020
    656 páginas
    21h 52m
    ISBN-13: 9788580633801
    Português Brasileiro
    3.7
    12 avaliações
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    "Em parte alguma encontrei uma descrição mais clara da propriedade do que em um livro intitulado Dois tratados sobre o governo." Essa observação foi feita por John Locke em 1703, pouco mais de um ano antes de sua morte. Por estranha que possa parecer, tal declaração antecipa o julgamento da posteridade. Pouco tardaria para o reconhecimento universal de que os escritos de Locke acerca do Governo de fato pertenciam à mesma categoria que a Política de Aristóteles, e ainda o consideramos um livro que trata da propriedade, sobretudo nos últimos anos. Foi impresso mais de cem vezes desde que apareceu sua primeira edição, que traz no frontispício a data de 1690. É um clássico consagrado da teoria política e social; talvez não figure entre os mais proeminentes de todos, mas mostrou-se familiar a oito gerações de estudiosos da política no mundo todo e foi objeto de um extenso cânone de literatura crítica.

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    Edson silva07/11/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Reveja a liberdade em Locke

    “Onde não há lei, não há liberdade.” (p. 433) A citação é o cerne desta obra de John Locke (1632-1704), escrita em 1689. Exímio defensor da liberdade, da igualdade e da propriedade privada, o autor trata de um contrato social entre os indivíduos e o Estado, bem como do cumprimento das leis preestabelecidas que garantem a esses indivíduos seus direitos naturais. Esta edição é composta por dois tratados (Livro I e II). No Primeiro Livro, de forma por vezes cansativa, Locke faz duras críticas à monarquia absoluta defendida na obra Patriarca, ou o Poder Natural dos Reis (1630), do escritor Robert Filmer (1588-1653). Filmer, por meio das Escrituras Sagradas, argumenta que a monarquia é herança de Adão — um direito divino. Locke refuta esse direito também com base nas Escrituras e conclui que o poder legítimo só nasce do consentimento livre do povo. No Segundo Livro, o autor aprofunda sua concepção sobre o funcionamento do governo civil e o contrato social, no que tange à liberdade e à propriedade privada. A obra é extensa e muito rica em direitos e deveres civis, bem como no dever do Estado, do rei, dos magistrados e dos juízes; mas ater-me-ei a dois importantes fundamentos para os dias de hoje: a liberdade e a propriedade privada. O que é liberdade para Locke? É o “fundamento de tudo”, indispensável à harmonia dos indivíduos que vivem em sociedade, e dever do Estado promovê-la. Como também é um direito natural concedido por Deus, deve ser questionada e reivindicada sempre que medidas tirânicas tentarem suprimi-la — e, se necessário, por meio da guerra. Quanto à propriedade privada, este é o locus classicus da ideia lockeana: “O fim maior e principal para os homens unirem-se em sociedades políticas e submeterem-se a um governo é, portanto, a conservação de sua propriedade” (p. 495). Para Locke, a propriedade privada é mais importante que a própria vida. Esta obra é um retorno a genuínas verdades quanto à definição da liberdade, que hoje é contrariada pelo relativismo e pela dissonância cognitiva. Reforça a dignidade humana e o direito de resistência do povo a um governo que quebra o contrato.

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    John Locke

    John Locke (Wringtown, 29 de agosto de 1632 — Harlow, 28 de outubro de 1704) foi um filósofo inglês e ideólogo do liberalismo, sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social. Locke rejeitava a doutrina das ideias inatas e afirmava que todas as nossas ideias tinham origem no que era percebido pelos sentidos. Escreveu o Ensaio acerca do Entendimento Humano, onde desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza de nossos conhecimentos. Dedicou-se também à filosofia política. No Primeiro tratado sobre o governo civil, critica a tradição que afirmava o direito divino dos reis, declarando que a vida política é uma invenção humana, completamente independente das questões divinas. No Segundo tratado sobre o governo civil, expõe sua teoria do Estado liberal e a propriedade privada.

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    John Locke