Ele se sente culpado pelo menino. Cheiro de sabonete barato, uma suposta vida difícil. Deve ser negro, pensa, e logo em seguida culpa-se por ter pintado a pele daquele menino que, ele continua a fabular sem perceber, deve ter um pai que trabalha na construção civil, mãe doméstica, frequenta desinteressadamente a escola, consome algum tipo de droga desde os treze anos. Culpa-se por tudo isso, pelo quadro que insiste em pintar do menino, mas inconscientemente balança a cabeça, tenta afastar aquele pensamento, não posso me sentir culpado por algo que não fiz.


