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    Quatro Séculos de Latifúndio -

    Alberto Passos Guimarães

    Fulgôr
    1963
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-10: 0000000000
    Português Brasileiro
    4.6
    11 avaliações
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    O latifúndio é o centro dos debates atuais sobre a problemática brasileira. Para as correntes progressistas ele é a causa básica da crise em que ora vivemos, amarrando-nos à monocultura de exportação, em detrimento da produção de gêneros alimentícios para o consumo interno; impedindo o desenvolvimento do mercado nacional, a democratização da propriedade, do crédito, do poder e a justiça social; enquanto que para as elites conservadoras ganha foros de fator número um de estabilidade social, tornando-se, em consequência, intocável. Alberto Passos Guimarães dá-nos no presente trabalho uma esplêndida e impressionante visão do processo de formação da nossa estrutura latifundiária, desde suas raízes, até o aspecto com que ora se apresenta, mostrando as várias formas de sua evolução histórica e regional. Analisa o autor, com objetividade científica, as teses contraditórias sobre a existência ou não de características feudais em nossa vida rural, chegando a uma definição mais clara e real da mesma, que representa, sem dúvida, uma magnífica contribuição à melhor compreensão desse problema fundamental, indispensável à justa formulação, pelas forças populares, das linhas e dos objetivos da revolução brasileira. Mostra-nos, outrossim, o processo de surgimento do camponês brasileiro, a partir da concentração do latifúndio açucareiro e consequente formação das massas rurais sem terra - os "agregados" - e, posteriormente, com a vinda dos imigrantes europeus e a criação da "parceria". Demonstra a falácia da pretensa equiparação de "parceria" brasileira ao instituto intermediário conhecido na Europa pelo mesmo nome e caracterizado por Marx em O Capital, mostrando o nítido caráter servil das relações de produção aqui existentes. Trata-se, pois, de um livro indispensável ao conhecimento da realidade brasileira, fruto de pesquisas e análises científicas, da elaboração inteligente e de interpretação própria de temas e materiais inéditos, uma verdadeira história econômica do Brasil, tendo por centro o instituto básico da nossa estrutura agrária. A Biblioteca de Estudos Brasileiros orgulha-se, assim, de trazer aos estudiosos mais esta contribuição ao processo de autoconsciência crítica que ora transforma e enrijece o espírito nacional, e que, sendo consequência do desenvolvimento econômico já conquistado, tornou-se hoje no impulsionador básico do seu prosseguimento, que precisamos, portanto, aprofundar e enriquecer.

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    Alberto Passos Guimarães

    Alberto Passos Guimarães (Maceió, 16 de abril de 1908 - Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 1993) foi um ensaísta brasileiro preocupado com a justiça social. Trabalhou em Maceió como comerciante e jornalista, onde fez parte da cena intelectual, ao lado de Graciliano Ramos, Aurélio Buarque de Holanda, Rachel de Queiroz e Valdemar Cavalcanti. Em 1931 fundou, juntamente com este último, a revista Novidade, onde diversos autores publicaram seus textos, entre eles Carlos Paurílio, Aloísio Branco, Willy Lewin, Dieguês Júnior e Santa Rosa. Em 1932 iniciou sua militância pelo PCB, a qual duraria por toda a sua vida. Por volta de 1940 mudou-se para Salvador, fugindo de perseguição política. Por volta de 1945 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou inicialmente como representante comercial através de sua pequena firma chamada Organização Brasil Ltda. Nos anos 1950 trabalhou no IBGE e no final dos anos 1960 na Rede Ferroviária Federal. Ao se aposentar, convidado por Antônio Houaiss, participou do projeto e redação da Enciclopédia Mirador (do grupo Enciclopédia Britânica do Brasil). Durante todo este tempo atuou como militante no PCB, tendo especialmente atuado como intelectual e homem de imprensa do Partido. Trabalhou no jornal Imprensa Popular, no semanário sobre cultura Paratodos (dirigido por Jorge Amado e Oscar Niemeyer) e foi diretor do jornal Hoje, publicação diária que teve vida muito curta nos anos 1960. Participou na redação de um documento conhecido como Declaração de Março (de 1958) que produziu uma inflexão na política do PCB, que passou a atribuir maior relevância à questão democrática, e à participação no jogo político democrático. Nesse processo teve um papel importante o chamado “Grupo Baiano”, do qual também faziam parte Giocondo Dias e Armênio Guedes.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Alberto Passos Guimarães