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    Wieland, ou A Transformação -

    Charles Brockden Brown

    Diário Macabro
    2020
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9786599056895
    Português Brasileiro
    3.8
    25 avaliações
    Leram33Lendo0Querem47Relendo0Abandonos1Resenhas4
    Favoritos2Desejados47Avaliaram25

    Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Nathaniel Hawthorne, Stephen King... esses e muitos outros escritores de terror dos Estados Unidos fazem parte de uma tradição que começou ainda no século XVIII, a literatura gótica norte-americana. Transferindo o horror do castelo mal-assombrado europeu para a mansão, utilizado as paisagens inóspitas e inexploradas do continente e tratando de temas culturais específicos, como o caso das bruxas de Salem, o gótico nasceu nos Estados Unidos com sua cara própria. Essa tradição foi oficialmente iniciada por um escritor chamado Charles Brockden Brown, reconhecido por ter escrito o primeiro romance gótico do país, chamado Wieland, ou a transformação. Charles Brockden Brown nasceu na Filadélfia, estado da Pensilvânia, EUA, no ano de 1771. Além de escritor, foi editor e historiador, discutindo sempre temas que estavam em voga em sua época, como religião, política e lutas por direitos, como os da mulher. Entre suas principais referências filosóficas, estavam William Godwin e Mary Wollstonecraft, pensadores e escritores britânicos e, também, pais de Mary Shelley. A grande obra de Mary Shelley (Frankenstein), aliás, possui influências de Brown. Charles Brockden Brown morreu cedo, com apenas 39 anos, em 1810, de tuberculose. Entre seus escritos, podemos encontrar sete romances, diversos contos e também textos não literários, como ensaios sobre a defesa dos direitos femininos e questões políticas e territoriais. Publicado pela primeira vez em 1798, Wieland, ou a transformação, é o romance que dá o pontapé na literatura gótica norte-americana. A história é passada na zona ural do estado da Pensilvânia, onde vivem os Wieland, um casal de irmãos, após uma tragédia que levou a vida de seu pai. Sem causa aparente, mas atribuída a uma possível vingança divina, o pai dos protagonistas morrera por combustão espontânea, deixando a propriedade para eles. A questão do fanatismo religioso, tanto do pai, quanto do próprio Theodore Wieland, é um dos grandes temas do livro. Devido a uma crença inabalável, os personagens se vêem envolvidos em tragédias que jamais imaginaram possíveis. Além disso, a história do romance, que é narrado por Clara Wieland, apresenta o tema da manipulação psicológica, que acontece por meios bastante não convencionais. Em Wieland, ou a transformação, acompanhamos, assim, o dia a dia da vida de Clara e de sua família, dia a dia este que, aos poucos, começa a deturpar-se e tornar-se opressor devido a novos elementos assustadores que surgem em cena. Muitos desses elementos são inexplicáveis, sendo atribuídos a questões sobrenaturais e misteriosas. A vida pacata e tranquila do campo, aos poucos, dá espaço para o medo e para a desconfiança e, ao fim do romance, a vida de ninguém é mais a mesma. A arte da capa foi feita em aquarela por Preto Pasin, que já trabalhou com a editora em projetos anteriores, tendo lançado a HQ Phobiafilia e ilustrado para outros projetos também. A ideia foi fazer uma releitura da famosa pintura American Gothic (1930), de Grant Wood. A obra original representa um fazendeiro e sua filha em frente a uma casa de estilo gótico, o que dialoga diretamente como o contexto de Wieland e, por isso, decidimos fazer uma releitura que englobasse ainda mais o espírito do livro. O fogo, como você verá durante a leitura, tem um papel importante no romance.

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    Resenhas (4)Ver mais
    Daniel Braga picture
    Daniel Braga03/02/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Wieland ou a Transformação, de Charles Brockden Brown

    Uma leitura que eu aguardava ansioso Depois da live que fiz com a querida Úrsula Antunes, eu fiquei muito curioso sobre a história de Wieland ou a Transformação, de Charles Brockden Brown. Ela foi uma das preparadoras de texto, tendo acesso ao livro. Suas dicas sobre o rumo do enredo eram incríveis e certamente instigantes. Com tradução de Nathalia Sorgon Scotuzzi e Mimi Zanetti, esta obra é um dos lançamentos de 2020 da Editora Diário Macabro. O livro é um importante representante do gótico não apenas pelo estilo, como também pelo debute de ter sido o primeiro romance gótico americano. Bons extras engrandecem a obra Prefácio Certamente devemos começar falando do prefácio Wieland e o gótico norte-americano, escrito por Cido Rossi, onde ganhamos não só o entendimento da importância da obra, assim como percebemos de que forma o gótico americano se diferencia do europeu. Excelente paratexto sem dúvida alguma. Posfácio Ao final, temos o posfácio Do horror percebido (Wieland e a sina da decepção dos sentidos), de Alcebíades Diniz Miguel. Um texto muito denso sobre a obra, analisando-a em detalhes incríveis. Alcebíades esmiúça com precisão cirúrgica cada pedaço da história, nos ajudando a perceber que Charles Brockden Brown escreveu muito mais do que um simples livro. Uma leitura muito interessante para ser feita devagar, após o término do livro e cheia de boas reflexões. Chegamos em Mettigen, o palco da desgraça Como comentamos acima, existem diferenças entre o gótico americano e o gótico europeu. Os castelos e fortalezas dão lugar a espaços abertos de uma américa em processo de conquista. Mettigen é o lar onde os eventos que afligem a família Wieland ganharão espaço. Uma enorme propriedade onde todos os Wieland fazem morada, mesmo que em casas separadas. Primeiramente vale começar pelo estranho caso do Wieland pai, vítima de uma inexplicável e sem dúvida alguma inusitada combustão espontânea. Este pequeno fato, sinistro por si só, sela o destino da família. Como resultado os caminhos dos filhos parecem carregados por esta sombra, porém eventos absurdamente mais estranhos vão persegui-los pela vida. Uma leitura está carregada de culpa, relações familiares e humanas conturbadas, um pesado ranço religioso e muitas críticas à sociedade da época. De fato é o mesmo cunho religioso que vemos nos dias atuais e, se não é fácil hoje, imagina há época. Considerações finais Com toda a certeza temos sorte de viver um resgate literário desta magnitude. Editoras independentes como a Diário Macabro vem trabalhando incansavelmente para trazer o melhor ao público brasileiro. Não apenas na qualidade, mas também na diversidade, eles estão criando a oportunidade para que saibamos mais e, com isso, possamos crescer. O imaginário brasileiro ganha demais em poder comparar seus próprios textos com obras como esta. Paralelos e diferenças são identificadas e assim vamos nos aprimorando. Em suma, um livro que os amantes do gótico e do horror devem ler. Boa leitura! Resenha publicada no blog Canto do Gárgula

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    Charles Brockden Brown

    Charles Brockden Brown foi um romancista, editor e historiador estadunidense do período Early National. Ele é geralmente considerado pelos estudiosos como o romancista americano mais importante antes de James Fenimore Cooper.

    11 Livros
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    Pensilvânia, Estados Unidos

    Charles Brockden Brown