Ou a História das Prisões.
Michel Foucault faz um recorte historiográfico da Era Moderna para fazer uma análise teórica e social do sistema carcerário na França. A escolha desse escopo tem motivo, não apenas esse país tem um dos melhores registros históricos do mundo, como também foi um dos primeiros a implementar o que se hoje considera o sistema penal.
O autor observa que os mecanismos usados pelo sistema judiciário e pela força policial tendem ao controle de uma determinada faixa da população - a marginal, a que não se encaixa ou submete -, e utilizam a violência, a moral, o condicionamento para isso.
Assim, a indústria da violência (e das prisões) não são apenas uma forma de gerar lucro com essa formação do sistema político-econômico, mas a maneira de legitimar e consolidar a sociedade que se utiliza de tal aparato.
É uma pesquisa que envolve estudos de caso, então há vários relatos, muitas vezes gráficos, que podem afastar o leitor curioso. Infelizmente, atrai também os sádicos de plantão que podem descobrir que não é tão fácil se deliciar com pesquisa científica.
Os capítulos são divididos pelos temas Suplício, Punição, Disciplina e Prisão; ao fim de cada um há notas explicativas e de referência.
A minha edição da Editora Vozes é bem simples, mas quero chamar atenção para o subtítulo do livro: História da Violências nas Prisões. Por que a tradutora Raquel Ramalhete escolheu trocar o original "Naissance de la Prison" (O nascimento da Prisão)?
Foi decisão do autor? Improvável. Se foi da editora? Sensacionalismo barato. Da tradutora? Adaptação infeliz que pode resultar no influenciamento do leitor. Bola fora.