“Exacerbar é o verbo-síntese dessa espessa amálgama de sentimentos que a escrita habilidosa de Decio Zylbersztajn nos desvela. Homens e mulheres prisioneiros de hábitos e amarras sociais, ávidos da consciência de si mesmos, experimentam um mergulho alma adentro, resgatando similares rancores, desejos e incompletudes. E atingem profundezas abissais, porque 'um abismo chama outro abismo'", diz o jornalista e escritor Joaquim Maria Botelho na apresentação do volume de contos "Acerba dor" (Ed. Reformatório, 2018), do escritor Decio Zylbersztajn, professor da USP e autor também do romance "O Filho de Osum" (Reformatório, 2019). "Acerba dor" mostra seres humanos em encruzilhadas em suas vidas. O que fazer, para onde ir. A partir de um inventário que remete às escolhas no passado, novos caminhos despontam, se anunciam. Em “Mineira de Cordisburgo”, um casal se conhece na Big Apple – ela brasileira, ele norte-americano – e decide morar em Cordisburgo, interior de Minas, vivendo na pele todas as consequências dessa escolha radical. Em “Na linha do Equador”, uma comunidade no interior do Amapá é atingida diretamente pelo descumprimento das leis e os crimes contra o meio ambiente. Em “O chinês Dong” a amizade – quase amor – entre uma diarista e um chinês que mal fala Português – é alinhavada pelo interesse nos livros. Esses e outros contos de “Acerba dor”, Decio Zylbersztajn, vão agradar em cheio os leitores que amam histórias bem contadas, sem abrir mão da informação e reflexão.



