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    Alexandre de Gusmão (1695-1753) - O estadista que desenhou o mapa do Brasil

    Synesio Sampaio Goes Filho

    Editora Record
    2021
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788501118233
    Português Brasileiro
    4.1
    11 avaliações
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    Neste primoroso ensaio biográfico, Synesio Sampaio Goes Filho apresenta ao leitor, de forma acessível e atraente, a trajetória de Alexandre de Gusmão e da mais importante negociação territorial da história do Brasil. No século XVIII, a situação territorial do Brasil era complicada: minas de ouro foram descobertas no oeste; a Colônia do Sacramento havia sido fundada no rio da Prata, bem em frente a Buenos Aires; dezenas de missões de religiosos portugueses foram estabelecidas na Amazônia. Tudo, entretanto, além do limite traçado em Tordesilhas. A colônia ficara rica, mas não tinha fronteiras.As penetrações e ocupações dos bandeirantes em terras espanholas poderiam não dar em nada se não houvesse do lado de Portugal, no momento oportuno, como secretário particular de D. João V (na prática, quase um primeiro-ministro), uma vigorosa personalidade política, além de notável escritor.Com profundo conhecimento da geografia e da história de sua terra natal, Alexandre de Gusmão foi o principal elaborador e negociador do Tratado de Madri, de 1750, que deu ao Brasil dois terços de seu território. Foi igualmente o autor intelectual do Mapa das Cortes, sobre o qual ocorreram as tratativas finais e onde, pela primeira vez, o país se apresenta com a forma quase triangular, ampla, maciça, que nos é hoje familiar.O grande feito de Alexandre de Gusmão é ter conseguido legalizar o alargamento imenso do território do Brasil. Houve a preparação intelectual, tomaram-se as medidas práticas, a negociação se revelou difícil. Em todas as fases, é inegável o protagonismo do secretário do rei. Um acordo dessa dimensão é sem paralelo na história universal. Poucos fizeram tanto pela grandeza do Brasil.

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    Jacqueline10/09/2021Resenhou um livro
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    A primeira pergunta que me fiz quando vi o título do livro: "Quem foi Alexandre de Gusmão?", já no subtítulo "o estadista que desenhou o mapa do Brasil", pensei: "Não lembro dele nos livros de história", até porque, não vou mentir, não são tantos personagens da história que ficam guardados em minha mente, e outra pergunta: "Qual seria sua importância na história do Brasil?" O livro é um ensaio biográfico deste estadista, entretanto, não há muitas informações de sua vida particular, e sim, mais de sua importância profissional, principalmente na época em que foi secretário do rei de Portugal D.João V e por ser um dos principais negociadores do Tratado de Madri, que deu ⅔ a mais ao nosso território. Então, além de tratar de um ensaio biográfico, também é um livro histórico que aborda um momento importante e crucial que culminou no desenho territorial brasileiro. E é algo que realmente nunca parei para pensar em como foram delimitadas as fronteiras do nosso país. Alexandre de Gusmão nasceu em Santos em 1695, não era de família rica e com 13 anos de idade partiu para Portugal com seu irmão mais velho, o jesuíta Bartolomeu Lourenço de Gusmão, sim, o famoso "padre voador", onde é citado até mesmo no livro "Memorial do Convento" de José Saramago. Estudou Direito e Cânones e com apenas 19 anos foi escolhido por D. João V a ser secretário do novo embaixador de Portugal em Paris onde partiu com ele e morou por 5 anos na França. Ao seu retorno passando por Madri, conheceu pessoas influentes que ajudou a formar ainda mais seu conhecimento sobre assuntos das coroas. Já em 1730 assume o cargo de "secretário dél-rei", os assuntos onde Alexandre mais se empenhava era a Igreja e o Brasil. Alexandre não era bem visto por muitos aristocratas portugueses, primeiro por ser um "estrangeirado", que era uma denominação a pessoas que tinham sido influenciadas pelo Iluminismo e se dedicavam a um pensamento mais racional e científico, ainda mais nessa época em que Portugal era considerado um dos países mais "cristãos" e avesso a intelectualidade iluminista e mais favorável a religião, e havia a inquisição no país, onde houve perseguições e condenações de judeus. Seu próprio irmão Bartolomeu, que era um padre jesuíta se convertera ao judaísmo, deixando Alexandre com fama de ser também um judeu. Alexandre, mesmo servindo a um Rei como D. João V totalmente "carola", em uma época que corria-se risco até mesmo de vida por seus pensamentos, era uma pessoa contrária às perseguições por religião. "Alexandre sempre se relacionou com membros da comunidade israelita de Portugal. Era um iluminista que achava ridículas as questões de pureza de sangue da nobreza lusa (escreveu até um estudo em que pretendia provar que não havia em Portugal quem não tivesse sangue judeu). Um humanista que se revoltava com a sanguinária perseguição do Santo Ofício". (p. 86) Mas mesmo com certa relutância por alguns aristocratas de ter Alexandre de Gusmão como secretário do rei, ele era uma das pessoas mais influentes do reino. Também escrevia poesias e sonetos e era famoso por sua ironia e acidez em cartas redigidas por ele, essa também era uma de suas funções, "puxar a orelha" de alguns da Corte, note a carta escrita em 1748 dirigida a Pedro Mota que tinha sido acusado de não receber nas horas de expediente: "A sua Majestade têm sido presentes os grandes incômodos que sentem as pessoas que procuram V. Ex. [...] é o mesmo Senhor servido ordenar-me que advirta V. Ex. de que os dias foram feitos para trabalhar e as noites para dormir..." (p.79) Alexandre hoje já é conhecido por ser um dos responsáveis pelo Tratado de Madri 1750, mas durante anos foi esquecido pelos historiadores e só teve visibilidade pelos estudos feito pelo Barão do Rio Branco no século XX e algum tempo mais tarde por um historiador português chamado Jaime Cortesão que resgatou sua história e escreveu um livro em 1950, mas muito extenso, conta com 9 volumes. Synesio conseguiu condensar de forma que o livro se torne mais acessível à população em geral, até mesmo, para quem não tem tanta intimidade com a História do Brasil. Mas o que foi o Tratado de Madri de 1750? Iniciaremos bem antes, em 1494, a grosso modo, os lusos e espanhóis dividiram por uma linha meridional as terras do Atlântico e de qual lado seria pertencente a cada Coroa, chamado assim de Tratado de Tordesilhas. Mesmo assim, colonizadores lusos e espanhóis geralmente ultrapassavam essa linha divisória de seu "vizinho". Mas havia uma região específica que era motivo de um certo atrito entre as Coroas: A Colônia de Sacramento, atualmente no sudoeste do Uruguai. Em muitos momentos essa Colônia estava sob domínio português, inclusive foram os lusos que fundaram a cidade, e durante um tempo esteve sob domínio espanhol e esse vai-e-vem de "quem é o dono" permaneceu por anos. "Será, questionamos nós hoje, que Portugal de boa-fé acreditava que a foz do Prata estava na sua metade tordesilhana? Era possível que sim: nessa época, não se sabia marcar longitudes com precisão." (p.35) Essa Colônia se encontrava em frente ao Rio da Prata e Buenos Aires, era uma rota muito importante de navegação. Conhecedor dos assuntos da Colônia e vendo o grande interesse dela pelos espanhóis, Alexandre de Gusmão reúne documentos para pautar sua proposta à Coroa espanhola, uma delas seria anular o Tratado de Tordesilhas e gerir um novo Tratado (Tratado de Madri), onde delimitariam os limites das fronteiras pela demarcação conduzida pelos rios e montanhas e também pela já ocupação de pessoas das regiões, ou seja, quem já estivesse ocupando a terra teria direito a ela (português ou espanhol), dentre outras propostas, ele negocia uma troca, os lusos cedem a Colônia de Sacramento e os espanhóis cedem a região dos Sete Povos das Missões, que é parte da região do Rio Grande do Sul atualmente. Alexandre utilizou o chamado Mapa das Cortes para ilustrar tais demarcações, porém esse mapa favorecia Portugal, mostrando territórios que não faziam parte de Portugal e sim da Espanha, dando a impressão que os espanhóis estavam cedendo bem menos do que realmente era. Pois bem, após a assinatura do Tratado, o Rei D. João V morre e com a substituição da Coroa também veio a substituição de Alexandre de Gusmão, assume como ministro o Marquês de Pombal, que não gostava do santista e muito menos do Tratado de Madri. Vários empecilhos fizeram com que o Tratado fosse anulado, um deles foi a Guerra Guaranítica, onde os povos das missões, tanto os índios quanto os jesuítas não aceitaram que deveriam desocupar o território que era deles, inclusive estavam certíssimos ao meu ver, não os jesuítas, mas os índios. Também houve a ascensão de Carlos III da Espanha que era contra o Tratado de Madri, mas o que jogou mesmo a "última pá de terra", digamos assim , foi o Marquês de Pombal, pois não queria ceder a Colônia de Sacramento e tinha uma certa rixa com o Alexandre de Gusmão. Depois do anulamento, a divisão territorial feita pelo Tratado de Madri continuou, inclusive a grande parte territorial da Amazônia, que foi incorporada ao mapa brasileiro pelo tratado, mas ambos os territórios que foram negociados em base de troca: Colônia de Sacramento e os Sete Povos das Missões ficaram com a Espanha. Após outras várias negociações foram se desenrolando, atualmente sabemos que o território de Sacramento ficou com os espanhóis, pois hoje ela faz parte do Uruguai, mas a região dos Sete Povos das Missões pertence ao Brasil. Apesar de acordos e desacordos, o Tratado que delimitou e mais se parece com a divisão territorial de hoje foi o Tratado de Madri, que foi um acordo diplomático organizado por um santista que tinha ideias iluministas, que era desprezado por alguns e admirado por muitos e que morreu 3 anos após a assinatura do acordo que ele planejara. Foi esquecido da História por muitos anos e revivido somente no século XX como uma parte essencial para o que temos hoje como nosso território nacional. https://www.instagram.com/a_lusotopia https://alusotopia.wixsite.com/website

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    Synesio Sampaio Goes Filho

    Synesio Sampaio Goes Filho nasceu em Itu (SP) em 1939. Formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, desenvolveu por mais de quatro décadas excelente carreira na diplomacia, tendo ocupado postos de relevo no Brasil e sido embaixador em Bogotá, Lisboa e Bruxelas. Ex-professor de História Diplomática do Instituto Rio Branco do Itamaraty, tem escrito artigos sobre temas brasileiros em revistas especializadas como Política Externa, da USP, e a Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, do qual é membro. Redigiu capítulos em obras coletivas como Rio Branco: 100 anos de memória; Varnhagen: diplomacia e pensamento estratégico; Pedro Teixeira, a Amazônia e o Tratado de Madri; Pensamento diplomático brasileiro; e Obras do Barão do Rio Branco. Trabalhou também na Presidência da República e no Ministério da Fazenda. Integrou várias delegações brasileiras em reuniões internacionais. No exterior, foi Secretário de Embaixada em Paris e Lima, Ministro-Conselheiro em Londres, Cônsul-Geral em Milão e Embaixador em Bogotá, Lisboa e Bruxelas. Possui diversas condecorações estrangeiras e, do Brasil, entre outras, as Grã-Cruzes da Ordem de Rio Branco, da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. É membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia de História de Portugal. Ex-professor de História Diplomática do Brasil do Instituto Rio Branco e de Comércio Internacional da Faculdade de Economia da FAAP. Tem artigos publicados em periódicos especializados em História do Brasil e Política Internacional, tais como “Oceanos”, de Portugal, “Política Externa” da USP e a “Revista do Instituto Histórico Brasileiro”. Seu livro Navegantes, bandeirantes, diplomatas, considerado um clássico da nossa história diplomática, é visto por Celso Lafer como “uma chave importante para a compreensão e entendimento do Brasil”. Publicou também Fronteiras do Brasil e, no campo do humanismo laico, A bela viagem. É membro da Academia Paulista de Letras.

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