Publicado em 1978, pela novelista e também filosofa irlandesa Iris Murdoch, este romance é considerado sua obra prima.
O enredo segue o autocentrado dramaturgo e diretor de palco Charles Arrowby, que se retira para uma remota área costeira para escrever suas memórias. Explorando as diferenças entre a vida pública e a privada, o romance mostra como as pessoas criam personas públicas que parecem mais virtuosas do que realmente são as suas motivações internas. Além disso, esclarece quão pouco conhecimento o sujeito moderno realmente tem de si mesmo e de como ele é percebido.
Para atingir seu efeito, o enredo alterna entre a forma de diário e a narrativa em primeira pessoa. Toda a trama se passa durante um único verão em meados do século XX. Charles Arrowby está se aposentando do teatro britânico. Ao longo de sua carreira, tornou-se conhecido como um dos dramaturgos mais proeminentes do país. No entanto, ele descobriu que falta espírito e profundidade ao mundo do teatro, abandonando-os pelas ilusões sensacionais de transcendência e significado. Arrowby compra uma casa bem na beira do mar, fantasiando que em breve abandonará seus apegos pessoais e se afastará pacificamente de seu papel ocupado e superficial
Em pouco tempo, a solidão de Charles é interrompida por vários amigos de Londres, que parecem tê-lo localizado. Ele recebe visitantes e inúmeras cartas, que o distraem de sua tarefa de descobrir como se desapegar.
O titulo alude a Anábase, narrativa histórica grega antiga, escrita pelo historiador antigo Xenofonte. É a história dos soldados mercenários gregos que lutaram por Ciro, o Jovem, em sua tentativa de tomar o trono persa de seu irmão, Artaxerxes II. Contém um famoso relato da longa jornada dos mercenários (a marcha dos 10.000 homens) desde perto da Babilônia até ao Mar Negro após a derrota de Ciro na Batalha de Cunaxa (401 a.C.), o que faz toda a expedição perder completamente o sentido. Não mais capaz de ser útil a tentativa de tomada de poder, os soldados gregos só querem retornar ao lar. Assim, quando eles avistam o mar Negro pela primeira vez e, sabem que vão poder voltar à Grécia, os soldados gritam O Mar! O Mar!
A frase repercute por todo o romance, dando significado filosófico a obra.