Pig Wrestling: The Brilliantly Simple Way to Solve Any Problem and Create the Change You Need (English Edition)

    Pete Lindsay, Mark Bawden

    Ebury Digital
    2018
    157 páginas
    5h 14m
    ISBN-13: 9781473566019
    Português Brasileiro
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    gabriel picture
    gabriel22/12/2021Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Um desfile de obviedades

    Queria muito ser justo com esse livro, e superar o preconceito inerente que eu tenho com literatura de autoajuda. Afinal, "ajuda" é ajuda, seja de onde ela vir é uma coisa (geralmente) positiva. Se alguém ler este livro e se sentir ajudado, faça bom proveito, mas da minha parte achei o livro muito carente de conteúdo. A ideia (idiota por si só) é que um gerentinho (chamado no livro de "Young Manager", é um cara sem nome) fica zanzando pelo seu prédio de trabalho e perdido nos seus pensamentos frustrados, de que tudo está dando errado. Já começa o primeiro problema do livro, pois ele não especifica exatamente do que se trata este problema. Ele só coloca, de maneira bastante vaga, que a equipe não se dá bem, essa coisa toda. Nesta coisa de zanzar por aí, ele vai tomar um café numa barraquinha ao lado, e aí começa um outro clichê no livro, que é o do "almighty janitor" (o "todo poderoso zelador", numa tradução livre), muito bem descrito pelo site TV Tropes (maravilhoso site, aliás). Pois bem, a ideia é de que uma pessoa para a qual você não daria nada (geralmente na parte debaixo da escala do trabalho, como bem lembrado pelo filósofo Boris Casoy), começa a soltar pérolas de sabedoria, levando à edificação moral da pessoa que ouça os ensinamentos. Tal clichê também é trabalhado pela série de filmes Karate Kid, na figura do lendário Sr. Miyagi, um simples jardineiro mestre em caratê e em tudo o que possa merecer conselho na vida. Então este cara do café seria uma espécie de Sr. Miyagi, e começa a aconselhar o jovem gerente. E tome clichês e senso comum, tudo amarrado pela imagem de um porco no chiqueiro, transformando todos os ensinamentos numa tola fábula. Não tenho nada contra fábulas, e acho que inclusive uma das forças (se é que se pode chamar assim) do livro esteja nisso. Fábulas são úteis para memorização e passar temas complexos, isso aí é verdade, como bem demonstrado pelo clássico Animal's Farm de ninguém menos que George Orwell. Só que aqui, em vez de uma crítica social e histórica, temos tolices sobre o mundo corporativo. Em nenhum momento ele se preocupa em justificar ou provar os ensinamentos passados ao longo do livro. De vez em quando ele cita "a psicologia" (o que seria "a psicologia"? qual psicologia? qual autor? ele nunca explica), em certo momento citou até Aristóteles, o que fez o próprio se revirar no túmulo. Mas fora isso, nada é justificado ou argumentado, as pérolas de sabedoria caem do céu, emanadas dessa entidade o cafeteiro (o barista, na verdade). E aí ele começa a pegar cartões de visita e a buscar outras pessoas no prédio, o que na verdade é bastante interessante, pois dá ao livro uma espécie de ar bizarro e um clima de aventura. Então, depois de falar com o barista (que é um sabichão, como já explicado acima), ele passa a falar com outras pessoas, cada um com uma sabedoria diferente sobre como resolver os seus problemas de escritório. A frase "criar a mudança que você precisa" é repetida à exaustão, e que na verdade não quer dizer coisa alguma. Qual a diferença entre criar uma mudança e simplesmente mudar? No entanto só o verbo simplesmente não tem o mesmo impacto retórico e marqueteiro. Então temos que ficar ouvindo essa platitude ser repetida à todo momento. Algumas ideias são interessantes, e podem ser úteis para uma pessoa batalhando com os problemas no trabalho. Ele propõe, no título e em alguns momentos no interior do livro, que essas ideias e métodos serviriam para resolver "qualquer problema na vida", o que me parece bastante absurdo, qual a relação do mundo com os problemas de um trabalho em escritório? Estes mesmos problemas sequer poderiam ser generalizados para outras áreas de trabalho afins, quanto mais para toda a vida real em toda a sua complexidade. Mas argumentar e justificar não é o forte do livro, e temos que tomar as coisas pelo seu valor de face. As ideias são convenientemente arranjadas em torno da fábula do porquinho. Eu achei isso até bastante eficiente, pois ajuda a memorizar todos os passos. Então, por exemplo, o problema seria um porco no chiqueiro, do lado você teria uma bucha com sabão. O que você deve fazer? Limpar o porquinho (os problemas), o que significaria enxergar o problema com mais objetividade. Genial, não? Fico me perguntando se o público-alvo deste tipo de literatura consegue levantar da cama sozinho (pra não usar termo mais chulo), porque apesar do fraseamento engraçadinho e bonitinho, as ideias em si são bastante óbvias... Mas às vezes temos que ouvir o óbvio na vida, então o livro funciona como uma espécie de mini-curso de coach portátil, então pode ser que ajude algumas pessoas. Dificilmente são coisas que podem ser generalizáveis para a vida como um todo, esta longa jornada cheia de nuances e complexidades. O livro, neste ponto, é bastante desonesto, pois está muito óbvio que essa generalização jamais é possível, porém tais promessas são comuns na literatura de autoajuda. Em nenhum momento é dito como e onde os métodos funcionaram, quem os aplicou, para que áreas e de quais maneiras ele foi aplicado, etc etc, ou seja, é algo bastante vazio e que não tem um ar de seriedade. Parece uma enganação realmente, é uma coisa sem fundamento. O livro é um pouco entristecedor também. As pessoas são coisas, apenas "recursos". Em nenhum momento os problemas da vida real são considerados. Por exemplo: um funcionário estava infeliz, e após os métodos maravilhosos descritos no livro, o gerente descobre que ele estava tristinho porque ficava longe do cachorrinho. A solução? Traga o cachorro para o trabalho! Em outro momento, eles descobrem que os gerentes ficam putos uns com os outros, aí eles tem a ideia de fazer um happy hour com eles, e pronto, taca o blá blá blá de que "temos que ver o contexto, no escritório eles são infelizes, mas no ambiente informal produtivos", etc etc. E a solução para o mundo é fazer um escritório com videogame, guloseimas e toda sorte de besteiras. Aumentar salário? Jamais! É um livro que não aborda valores, não aborda ética, e que tenta generalizar o universo corporativo para todos os aspectos da vida, sem qualquer justificativa válida para isso. A sabedoria para criar sinergia entre equipes, para atingir altas performances (e mais-valia para o patrão) também serve para a sua vida pessoal, apenas porque "sim" e o universo corporativo é totalizador. O pesadelo neoliberal em essência. Mas apesar disso tudo, o livro deixa importantes lições, ele consegue ser claro, é curtinho, possui bons métodos de memorização e podem ser úteis para pessoas que estão enroladas com os seus problemas. Não há nenhuma crítica social e nada mais profundo do que um pires, no entanto serviu para praticar o inglês e algumas das ideias são genuinamente interessantes (afinal, alguma coisa tem que ser). A nota procura refletir estes aspectos e não foi uma leitura desprazerosa, ela tem um ar divertido (voluntariamente ou não).

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