O livro conta a comovente história de Rorbeto, um menino diferente, não só no nome. Ele aprendeu muitas coisas sozinho, inclusive a contar os amigos na ponta dos dedos. Papai, Mamãe, O cãozinho Filé e mais três amigos. É aí que vem a novidade: ele tem seis dedos em uma das mãos. Rorbeto acha que isso é errado, assim como o pai acha que errou ao registrá-lo com esse nome. Mas Gabriel o Pensador nos faz repensar: ser diferente não é ruim. Somos todos diferentes, e são essas diferenças que nos fazem especiais, cada um de seu jeito.
Um Garoto Chamado Rorbeto (Fenix) -
Gabriel O Pensador
Um livrinho muito fofo
Um garoto chamado Rorbeto foi lançado em 2005, sendo o segundo livro do Gabriel O Pensador. Sim, aquele cantor que todos já ouviram falar e a maioria conhece apenas algumas de suas músicas - inclusive eu, que não gosto muito de rap. Na contra-capa, Ziraldo (o criador do personagem Menino Maluquinho) diz: "Ele é assim, o Gabriel. Criado ao pé de uma das maiores favelas do Rio, transitou sua infância da praia até o alto do morro. Este é o seu universo! Um universo cheio de uma verdade comovente". O título e a capa combinam perfeitamente com a história. Dentro, há várias ilustrações que acompanham a narrativa. O livro é narrado em terceira pessoa, em forma de versos; a história é bem curta, mas dá para ter uma boa noção do que o autor quer passar. Rorbeto morava numa vila bastante humilde, onde as pessoas tratavam-se como parentes. As crianças brincavam na rua, colhiam frutas, brincavam com os animais... Rorbeto foi crescendo e estava aprendendo a contar. Usou apenas uma das mãos para contar cada integrante da família e parou no número seis. Pensou: "Seis dedos numa mão só? Será que na outra são quatro?" As pessoas começaram a perceber que ele tinha um segredo. Chegando na escola, sentou-se no canto, envergonhado, com a mão direita dentro de uma sacola. Nem brincou no recreio. Justamente naquele dia a professora iniciaria a alfabetização. Rorbeto desenhou a letra com a mão esquerda; a professora notou, sabendo que ele não era canhoto. Pediu que ele tentasse com a mão direita. Rasgou a sacola correndo, Escreveu mais rápido ainda. E mesmo nervoso e com pressa, Ele fez a letra mais linda! A professora fez uma expressão diferente e chamou os outros alunos para o canto onde ele estava. Rorbeto ficou preocupado, pensando que seu segredo havia sido descoberto. Escondeu a mão. Os colegas o elogiaram pela letra. Ufa! No dia seguinte, a turma toda chegou com uma mão na sacola. Rorbeto pensou que fosse alguma piada. A professora perguntou o motivo de tanta sacola e ouviu da turma: "É pra escrever mais bonito". Rorbeto disse que isso não os ajudaria a melhorar a letra, então alguém perguntou o porquê da sacola. Ele mostrou os dedos. A professora explicou que aquilo era só um detalhe. A turma elogiou a letra, nem ligando para a mão diferente. Depois ele foi jogar bola e gritou: "Furem a luva que eu vou ser goleiro!" Foi mais ou menos a quinta vez que eu li esse livro e sempre "cai um cisco no olho" por me fazer lembrar a infância de um jeito tão envolvente. Pena que não é um livro muito fácil de ser encontrado, mas acho que é perfeito para quem está em processo de alfabetização; melhor ainda: é um ótimo livro para conversar com as crianças sobre aceitação, sobre o quanto é normal ser diferente.
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