On a continent ruled by three empires, some are born with a “witchery”, a magical skill that sets them apart from others. In the Witchlands, there are almost as many types of magic as there are ways to get in trouble—as two desperate young women know all too well. Safiya is a Truthwitch, able to discern truth from lie. It’s a powerful magic that many would kill to have on their side, especially amongst the nobility to which Safi was born. So Safi must keep her gift hidden, lest she be used as a pawn in the struggle between empires. Iseult, a Threadwitch, can see the invisible ties that bind and entangle the lives around her—but she cannot see the bonds that touch her own heart. Her unlikely friendship with Safi has taken her from life as an outcast into one of reckless adventure, where she is a cool, wary balance to Safi’s hotheaded impulsiveness. Safi and Iseult just want to be free to live their own lives, but war is coming to the Witchlands. With the help of the cunning Prince Merik (a Windwitch and ship’s captain) and the hindrance of a Bloodwitch bent on revenge, the friends must fight emperors, princes, and mercenaries alike, who will stop at nothing to get their hands on a Truthwitch.
Truthwitch (Witchlands #1) -
Susan Dennard
Resenha: Truthwitch
Truthwitch, primeiro livro da série Witchlands, da autora Susan Dennard, chegou até mim através do bom e velho Tumblr. Indicação para os fãs de Trono de Vidro e outras aventuras que se passam em novos universos fantásticos, esse livro foi uma surpresa cheia de emoções; e definitivamente se tornou um dos favoritos do ano. A história gira em torno de duas protagonistas em um mundo dividido por três reinos. Safi e Iseult são bruxas como todas as outras pessoas do seu mundo, mas a magia delas é rara. Iseult é uma Threadwitch (algo como bruxa de fios em tradução literal) que enxerga os fios de emoções de cada pessoa ao seu redor. E Safi é uma Trutwitch (uma bruxa da verdade), que consegue discernir a mentira e as ilusões na fala e nos trejeitos de uma pessoa. As duas vivem à beira da lei, tentando conseguir dinheiro para conquistar sua sonhada liberdade - uma vez que Safi pertence à nobreza e está ligada aos deveres dela, e Iseult é uma estrangeira julgada por sua etnia - mas, infelizmente para elas, o destino tem outros planos. Afinal de contas, uma antiga trégua da grande guerra está para terminar, e aparentemente os três reinos desejam ter uma bruxa da verdade ao seu lado quando a nova guerra começar. "Iseult encarou Safi com a fúria que sempre fazia Safi se sentir mais forte." O livro é muito mais do que isso, mas, lógico, quando a leitura é maravilhosa eu sofro da maldição de não saber falar sobre ela direito. Truthwitch foi tudo de incrível e apaixonante do início ao fim. O início, aliás, foi um tanto confuso, isso eu preciso confessar. A história já se inicia dando aquele baque de "você está em um mundo novo e vai se acostumar com ele conforme o tempo for passando"; o que realmente acontece. "Durante os tempos de guerra, a Rainha governava a terra e o Rei governava os oceanos." Nos primeiros capítulos, com a introdução dos personagens e dos termos mágicos e da situação política, eu me vi dentro das situações olhando em volta enquanto tentava entender o que estava acontecendo. Por sorte, foi só no começo mesmo. Uns quatro capítulos para frente e eu já me sentia em casa. Isso, é claro, por causa dos personagens. Temos 4 protagonistas na história, apesar de a trama ser centrada nas duas garotas já mencionadas. Iseult e Safi são melhores amigas, irmãs ligadas pelos fios da vida. Iseult protege Safi e vice-versa e o mundo gira em torno dos seus sonhos compartilhados. Esse é o tipo de amizade que vale a pena ler, que traz emoção e que rouba sua atenção logo no início. Você quer que as duas lutem juntas sempre, que vivam o lema dos Mosqueteiros à sua maneira. Iseult é razão onde Safi é emoção; Safi é adrenalina onde Iseult é estratégia. As duas se entendem com uma troca de olhares, conhecem seus medos e desejos mais profundos. Seus diálogos são reais, as cenas de ação envolvendo as duas são bem descritas e orquestradas. Eu amei o sisterhood formado por elas, essa irmandade de apoio e confiança, de olhar por cima do ombro para dividir um sorriso porque sabe o que a outra está pensando da situação. São irmãs conectadas pelos fios da vida e pelos sonhos. "Eu sempre vou segui-la, Safi, e você sempre vai me seguir. Irmãs até o fim." É interessante como a autora desenvolveu tão bem as duas como uma só para, em determinado momento da obra, separá-las para dar destaque às suas individualidades. Safi acaba na corte real e Iseult revive um pouco do seu passado na tribo que deixou para trás (não é spoiler, relaxa, acontece logo no começo). O importante aqui é que ambas as personagens têm identidade própria, não dependem apenas da dinâmica conjunta. Assim como os Mosqueteiros (eu vou citar muito eles porque elas me lembraram do tipo de amizade que os meninos dividiam), Iseult e Safi têm conflitos solitários a serem enfrentados, e os dividem com os que vivem juntas. Iseult tem algumas problemáticas esquecidas envolvendo sua família. A rejeição e a certeza de que nunca foi bem aceita lá, especialmente pelas pessoas com quem ela mais se importava, criaram raiz na personagem, sombras em suas memórias e na sua confiança. Iseult é uma personagem rica, cheia de emoção, mas por ser mais contida que a Safi, isso se dá através do seus pensamentos. Ela vê o que as outras pessoas sentem, mas é o que existe em seu coração que dita os caminhos mais arriscados que ela resolve tomar. Isso sem falar na sua interação com Aeduan, o bruxo de sangue que está caçando ela e Safi - eu preciso de um momento para respirar e falar sobre o potencial que eles têm como casal, ao mesmo tempo em que não têm. Porque é um casal bem sombrio, cada um com os próprios (e muitos) problemas, mas também seria um casal poderoso, do tipo que passa por cima das próprias sombras para encontrar a luz juntos. "Mhe verujita. Era o ditado mais sagrado dos Nomasti - um ditado que queria dizer 'confie em mim como se minha alma fosse sua'." Safiya, por outro lado, tem que lidar com o seu lado nobre, a problemática de ser uma arma em potencial e os olhos dos três reinos sobre ela. Principalmente o reino em que vive; na corte, durante um baile, Safi recebe uma notícia nada agradável sobre seu futuro para, no minuto seguinte, se ver envolvida em uma tramoia política orquestrada para protegê-la - e para proteger os interesses das pessoas dessa tramoia, lógico. Safi se vê como uma peça num jogo de poder, mas não se deixa abalar por isso. Ela tem o controle da situação, mesmo sob circunstâncias que não queria que acontecessem. Ela é destemida e teimosa o suficiente para se colocar em risco se isso significa proteger Iseult e a si mesma, e também garantir a sua tão sonhada liberdade. E seus poderes são muito legais e criativos. Toda a trama envolvendo os bruxos é bem criativa, mas adorei a natureza dos poderes da Safi, a ideia de que ela consegue sentir verdades e mentiras - e como isso coloca sua liberdade em risco, uma vez que ela é uma arma indestrutível nas mãos de qualquer governante. "Aqueles que vencem as guerras são aqueles que escrevem a história." Além das garotas, dois personagens que valem ser citados são Merik e Aeduan. Aproveitando que já falei do bruxo de sangue um pouquinho ali, vamos desenvolver: Aeduan é um monge, um caçador e um rosto muito temido. Ele é um dos poucos bruxos capaz de controlar o sangue e, consequentemente, toda a pessoa se quiser. Pode drenar uma vida em segundos ou controlá-la à sua vontade. Ele está caçando Safi, mas há muito mais sobre esse personagem do que seus mistérios deixam entrever. Fiquei curiosa com as sombras que rondam o Aeduan, com seu passado e sua devoção ao monastério no qual foi criado. A obra cria uns plot twists envolvendo o personagem que, apesar de não serem grandes revelações, com certeza me deixaram surpresa e entusiasmada pela genialidade. Merik, diferente do bruxo de sangue, é um Windwitch (bruxo do vento), príncipe e almirante de um navio real do reino de Nubrevna em missão no reino ao qual Safi pertence. Alguns contratempos e acordos colocam Merik lado a lado de Safi e aí nasceu um ship que me deixou berrando - ele é a princesa Leia e ela é o Han Solo, só pra dar um gostinho do que é a interação entre os dois. E o mais legal nesse ship é que, apesar de ele ser óbvio e estar ali para definitivamente acontecer, leva o tempo necessário para criar a química e até um suporte entre os dois. E depois de ver uma entrevista com a Susan onde ela disse que adora os casais que não terminam juntos eu já tô fazendo minhas rezas aqui. "Porque os olhos dela eram da cor do céu depois de uma tempestade." O príncipe de Nubrevna é honrado e leal ao seu reino. Ele se arriscou até ali atrás de um acordo, e esse acordo pode beneficiar as terras devastadas pela antiga guerra. Merik quer trazer esperança ao seu povo, e Safi pode ser sua última chance de fazê-lo. Eu amei a construção do personagem, seu desenvolvimento e sua presença em cena. Realmente leal até o fim, do tipo que daria um bom Stark. Suas relações com os membros da tripulação foram ótimas - em especial com seu Threadbrother, Kullen. Chorei e ri demais com os dois. "Foi exatamente como ele havia dito a Kullen: nada mudara. Mover-se para o leste ou para o oeste não fazia diferença em um mundo de morte e veneno." Esse livro aborda uma mitologia bem criativa em relação aos diversos bruxos e bruxas que existem no mundo fictício criado pela autora, e com certeza encontra espaço para inserir algumas reviravoltas emocionantes. As cenas de ação foram de tirar o fôlego, curtas e bem escritas. Ah, e claro que a trama principal envolve uma profecia antiga, aquela coisa gostosa de ler em ficção fantástica. Truthwitch é uma leitura obrigatória para quem gosta de universos mágicos, personagens femininas empoderadas e amizades pelas quais vale a pena lutar.
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