Políticas da Inimizade -

    Achille Mbembe

    N-1 Edições
    2021
    218 páginas
    7h 16m
    ISBN-13: 9786586941173
    Português Brasileiro

    (...) Todo ato de escrita implica, na verdade, o emprego de uma força ou de uma dissonância – que aqui chamamos de elemento. No caso em questão, trata-se de um elemento bruto e de uma força renhida, uma força muito mais de separação do que de reforço do vínculo – uma força de cisão e de real isolamento, aplicada exclusivamente sobre si mesma e que busca se eximir do resto do mundo ao mesmo tempo que almeja, em última instância, assegurar o domínio sobre ele. Na verdade, a reflexão a seguir tem por objeto o retorno da relação de inimizade a uma escala global, assim como suas múltiplas reconfigurações nas condições atuais. O conceito platônico de phármakon – a ideia de um medicamento que atua simultaneamente como remédio e veneno – constitui seu eixo central. Apoiando-se parcialmente na obra política e psiquiátrica de Frantz Fanon, será exposto como, na esteira dos conflitos da descolonização, a guerra (sob a égide da conquista e da ocupação, do terror e da contrainsurgência) se tornou, desde o final do século XX, o sacramento da nossa época.” (...)

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    Lucas27/02/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Inimizade

    (mil anos que não uso isso, mas vamos lá) Comecei e parei de ler várias vezes este livro por ser muito difícil e por necessitar de leituras prévias, mas decidi pegar pra ler esse livro firme esse mês. Como disse, "Políticas da inimizade" é uma extensão do livro "Necropolitica", por isso alguns capítulos e referência necessita de uma experiência na escrita do autor, no entanto a ideia central consegue ser entendida perfeitamente. Mbembe, trazendo de sua teoria da Necropolitica, desenvolve o ideário da politica ocidental capitalista, e como essa política economica depende da criação de um Outro e da exploração deste outro. Mbembe também valoriza suas experiências e de começo adianta que o ponto de vista do livro sera sobre o racismo de acordo com os séculos e o desenvolvimento do capitalismo. A escrita dele é pesada demais, umas das grandes coisas que me pegaram na leitura, me fazendo não compreender alguns capítulos. No entanto, sua escrita é ótima e, escolhendo cada palavra perfeitamente, o escritor desenvolve sem erros sua teoria. Cada capítulo compreendido eram horas de reflexão. Capítulos como "o corpo noturno da democracia"; "a consumação do divino"; "o inimigo, esse outro que eu sou"; "nanoracismo e narcoterapia" e também "antimuseu", foram capítulos essenciais que trazem reflexões maravilhosas para entender nossa situação. Outra qualidade neste livro, é que como Mbembe escreve de uma visão racializada e colonizada, toda sua escritura se encaixa perfeitamente com o Brasil. O próprio escritor ja disse que não conhece a fundo sobre o Brasil, mas recebe mensagens sobre como seus livros explicitam a política daqui. Então ler um livro de filosofia que se encaixe na nossa realidades é muito bom!!

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