Violence - Six Sideways Reflections

    Slavoj Žižek

    Profile Books
    2007
    218 páginas
    7h 16m
    ISBN-10: 1846680271

    Does the advent of capitalism and, indeed, civilisation cause more violence than it prevents? Is there violence in the simple idea of 'the neighbour'? And could the appropriate form of action against violence simply be to contemplate, to think? In this passionate plea for awareness, Žižek turns his unflinching gaze on the capitalist democracies we live in. He explores the bloody totalitarian regimes of the last century and that violence which is named 'divine'. Drawing on high and low culture, Kant, Lacan, jokes and contemporary cinema, this celebrated academic turned philosophical icon discusses the inherent violence of globalisation, fundamentalism and language in a work that will confirm his standing as one of our most erudite and incendiary modern thinkers. This is a book poised to set a new agenda for our thinking about violence.

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    Rafael Godoy20/01/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Zizek descasca as camadas

    Zizek tem uma maneira de escrever bastante didática, as piadas e anedotas não estão ali sem motivo. Essa é uma das razões pelas quais eu gosto tanto desse filósofo, porque traz questões de certa complexidade fazendo-se entender. Claro que vez ou outra é preciso um esforço pra chegar ao ponto, porque é filosofia, e apesar de didático, o conteúdo de Zizek não é simplista.  Em Violência, o filósofo esloveno disserta acerca desse conceito de forma ampla, com inúmeros exemplos, mas que é coerente em todo seu percurso. Zizek aponta que experimentamos dois tipos de violência: a violência subjetiva (essa que lidamos cotidianamente nos noticiários, os atentatos terroristas, as guerras internacionais, o crime organizado etc.) e a violência objetiva, sendo esta a forma menos visível - por ser concomitante à "normalidade" -, e que se divide em sistêmica (como o desenvolvimento do capitalismo e suas explorações/entraves) e a simbólica (que fomenta ideologias, como o racismo e várias outras formas que podem se desenvolver através da linguagem). Um ponto fulcral na concepção conceitual apresentada pelo autor é que o estigma negativo da violência é uma operação ideológica com o intuito de "invisibilizar" a forma de violência social provocada pelo sistema capitalista, uma maneira de tornar um caso de superficialidade (que nesse caso reduz tudo à violência subjetiva). Após abordada a parte mais conceitual, Zizek inicia discussões a partir da relação da realidade e do Real (baseando-se principalmente em Lacan e Marx) e aponta os diferentes movimentos da violência na nossa sociedade a partir de exemplos práticos. O livro todo é interessante, sem dúvidas. Mas a parte que mais me chamou a atenção é a que o autor discorre sobre a violência sistêmica e sua relação diante dos chamados comunistas liberais, como os "novos" bilionários e suas profundas filosofias de compaixão pela humanidade (que nada passa de uma exploração mascarada de humanismo, pois são os que constituem a mais alta elite econômica mundial e isso não é por acaso). Enfim, como já dito, o livro por inteiro é de extrema importância e provoca um profundo interesse pela temática. Isso só me faz crer que Slavoj Zizek continua sendo um intelectual necessário.

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