Às vezes deixamos escapar, talvez pelo aceleramento insensato dos dias, de como é maravilhoso agir feito o flaneur de Walter Benjamin, aquele mesmo que percorre as ruas de Paris sem qualquer finalidade, apenas buscando qualquer coisa que possa surpreender.
Foi exatamente essa experiência que consegui retomar ao ler esse livro. Só quem consegue resistir a insensatez da Amazon, ainda consegue viver a experiência de entrar em uma deliciosa livraria e se surpreender com um livro que não estava procurando, mas que de repente se torna o presente recompensador do mês.
Devo dizer também que graças a plataforma de trocas Skoob, tenho conseguido fazer boas trocas e também amizades. Tem movimentado a minha estante, feito dela o paraíso toda essa troca de experiência. Hoje em dia, graças a sebos, livrarias e trocas, não sei mais o que são essas megastores, nem mesmo posso dizer o que é uma biblioteca com centenas de livros "baratos" (comercializado a base de suor e de sangue humano) e não lidos.
Por mais estranho que possa parecer, a palavra resistência também vem carregada dessa necessidade de desacelerar, de ler frases pausadamente, de fazer pensar e conversar sobre o que é lido. E esse tipo de resistência, tão familiar a nós leitores, tem desaparecido dia após dia com as livrarias, graças a essa necessidade insensata de concorrer consigo mesmo e com o tempo quantos livros são lidos em um único mês.
Nunca entendi porque a leitura tem se tornado essa insensatez de ler para cumprir determinadas metas. Ou porque é necessário ler 12h seguidas. Nunca entendi a razão de bons YouTubers, com opiniões bastante consistentes até, fazer divulgação massiva, todos os dias, de "promoções da Amazon".
Se o livro se tornou meramente mercadoria eu não sei. Mas há humanidade nos livros. E resistir é também recuperar o que tem sido deixado pra trás sem que percebamos.