<b>Love hurts but sometimes it's a good hurt
And it feels like I'm alive
(…)
Have a heart and try me
'Cause without love I won't survive</b>
Love Hurts — Incubus
Você já sofreu por amor? Ao ler essa pergunta imagino que você tenha imaginado um ex-namorado (a) ou até mesmo seu namorado (a) atual. Mas a pergunta não é simples assim. Eu me refiro a todo e qualquer tipo de amor. Esse que você sente pelo seu pai, mãe, irmãos, amigos... Sei que você já sofreu por eles. Amar é isso, não é? É se importar. É ser um pouco o outro. Se sentir afetado quando outras pessoas afetam quem você ama e se sentir despedaçado quando quem você ama te afeta, te toca... De um jeito que machuca.
Você gostaria de se ver livre disso? Do amor? E consequentemente da dor, que por vezes, ele nos traz? Essa é a grande questão: pra você, amar vale a pena?
<i>É o mais mortal entre todos os males: você pode morrer de amor ou da falta dele.</i> — Página 9
No tempo em que essa história se passa a realidade é a seguinte: o amor é visto como uma doença — amor deliria nervosa — e foi determinado pelo Governo que todos os cidadãos ao completarem 18 anos passariam pela intervenção onde seriam submetidos a cura.
Lena, nossa protagonista, está em contagem regressiva para passar pela intervenção. Ela mal pode esperar pelo momento onde finalmente estará curada dessa doença — o amor. Depois de passar pelo processo ela receberá um marido — é isso mesmo, o próprio sistema fica encarregado de arranjar um par para todas as pessoas, escolhendo dentre uma lista aquele que supostamente é mais compatível — e será encaminhada para alguma faculdade.
Mas a poucos dias de sua tão esperada cura ela conhece Alex e descobre sentimentos que até então, eram totalmente desconhecidos para ela e passa a perceber e a se perguntar se o amor é realmente algo tão abominável como acreditava.
Ao ler o livro me surpreendi, por acreditava que ao passarem pela intervenção as pessoas ficavam livres apena do “amor de casal” — na falta de expressão melhor —, mas não! Quem é curado se torna uma pessoa indiferente em relação a todo e qualquer tipo de amor. São frias com seus pais, filhos, irmãos, amigos. São transformadas em pessoas “ocas”.
Estou há 18 anos sem conhecer esse “amor de casal”, às vezes me sinto paranoica por pensar que estou atrasada e que talvez nunca conheça esse amor, mas até vivo — não digo que perfeitamente ou completamente feliz — sem esse amor, talvez esse vazio que, por vezes, sinto nem seja isso... Mas o fato é que: vivo sem esse amor “romântico”, mas não consigo imaginar minha vida sem o amor dos meus pais, dos meus amigos e de parte da minha família. Eu sentia pena das pessoas que já tinham passado pela intervenção, por levarem suas vidas simplesmente envelhecendo a cada dia, sem sentirem nada, vivendo como robôs, só que feitos de carne e osso.
A Lauren Oliver já havia me conquistado em Antes que eu vá com uma narrativa poética capaz de tocar o leitor verdadeiramente e em Delírio não foi diferente. Sua forma de conduzir a história é inexplicavelmente mágica. Emocionei-me muito durante a leitura, chorei, sorri, senti raiva, medo, aflição. A Lauren é dona de uma escrita capaz de penetrar, de maneira sutil, o mais íntimo do nosso ser.