Pássaros da América -

    Lorrie Moore

    José Olympio
    2018
    294 páginas
    9h 48m
    ISBN-13: 9788503012805
    Português Brasileiro

    Best-seller do New York Times, livro reúne os melhores contos da premiada autora norte-americana Lorrie Moore. Quinto livro de ficção de Lorrie Moore – aclamada pela crítica e pelo público como uma das maiores escritoras norte-americanas – e seu trabalho mais pujante, Pássaros da América reúne doze contos originalmente publicados em importantes jornais e revistas como The New York Times, Elle, The Paris Review e The New Yorker. O livro figurou durante semanas na lista de best-sellers do The New York Times. Particularmente delicadas e pungentes, as narrativas têm como fio condutor personagens consumidos pelo tédio, pela angústia, pela falta de objetivo: pela própria vulnerabilidade humana. E em vez de definir tramas elaboradas em direção a uma resolução clara, ou mesmo provisória, Moore esboça as dificuldades que seus protagonistas frustrados e sem muita ambição na vida enfrentam e não conseguem superar. Eles não chegaram aonde pretendiam, mas, apesar disso, continuam vivendo. Ainda que façam piadas o tempo todo – para afastar a dor e o desapontamento –, há algo de triste nessas figuras. Elas exemplificam a capacidade de Moore de mapear a paisagem emocional das pessoas perdidas e solitárias, que se depararam com situações-limite, que se sentem fora do ninhos. Em cada história, Moore habilita seus personagens, permitindo que seus pensamentos e conversas brilhem com o jogo de palavras, com o sarcasmo, usados com originalidade surpreendente. Não importa quão caótica seja a vida, a mente das personagens ainda funciona com sensatez. Os cenários das histórias são os mais diversos: Chicago, a mais populosa cidade de Illinois, conhecida por suas aparições no cinema, é reduzida ao cenário decrépito de uma atriz decadente de Hollywood; um Natal em família, com um divertido e revelador jogo de mímica, acontece em uma casa tradicional do sul do Maine; em Minnesota, um professor de Direito de cinquenta anos, desiludido com suas experiências amorosas, decide escrever o ensaio Os jovens foram enviados à Terra para divertir os velhos. Então por que não se divertir?, e, se sua retórica será capaz de salvar sua vida, é uma questão que Moore se recusa a responder. É com maestria que, em Pássaros da América, Lorrie Moore retrata a vida dessas pessoas e suas relações interpessoais, suas idiossincrasias, seus sonhos e, principalmente, a forma como lidam consigo mesmas. O que se segue poderia ser difícil de ler, mas a ficção ainda nos faz rir nos momentos de horror desvelado. Como Beckett, Moore aceita que nada é mais engraçado do que a infelicidade; que o cenário mais horrível.

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    João18/10/2021Resenhou um livro
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    Assim como os pássaros, precisamos aprender a alçar voos…

    Assim como os pássaros, precisamos aprender a alçar voos mais altos! #RESENHASOL | Lorrie Moore | 1998 | 293 paginas | +10 | Contos | @grupoedi Os pássaros da América, escrito pela premiadíssima Lorrie Moore, autora conhecida por seus contos publicados em diversos veículos de imprensa, no brasil esse é seu segundo livro publicado, mas ela tem mais 7 escritos entre romances, contos e infantis. Nessa antologia, temos assuntos abordados bem penetrantes, de intensidade significativa, pois a Lorrie nos apresenta personagens e problemas comuns, vidas reais, não passeia pelo extraordinário ou inimaginável, nem em vidas de destaque que merecem ser contadas alguma história, é uma realidade palpável. Todas as narrativas têm suas similaridades, elas jornadeiam pela solidão, tédio, angústia, falta de propósito, submersão nas exigências sociais e familiares, pessoas sem objetivos, mas, apesar de tudo, é necessário prosseguir, a vida não para por uma desilusão, por uma perda de emprego, pelo luto e outros motivos. Esses personagens nos mostram isso! São 12 histórias, a primeira dela, mais marcante é de uma atriz de cinema que desistiu de sua carreira frente às câmeras e ao voltar pra sua cidade natal se apaixona por um mecânico que não faz ideia de quem ela seja, e não se importa em saber, e claro haverá a cobrança de: você é famosa, ou já foi, merece “algo melhor”, como se fosse possível definir isso tendo uma visão externa. Durante os contos a Lorrie deixa nítida seu modelo de escrita, a gente tem a certeza que quem escreveu o conto seguinte, foi a mesma do conto anterior, e você pode se perguntar: mas isso não é obvio? Nem sempre. Se tratando de contos autores utilizam temas diferentes e gostam de mudar a forma com que a história é escrita. Apesar de tantos elogios não é um livro atrativo e um dos mais empolgantes de se ler, as histórias não apresentam um início comovente e nem se concluem da melhor forma. Mas volto a frisar que pela forma com que ela escreve é válido se ler. “- Sempre temos biscoitos na aula! Ele abriu um sorriso tão aliviado que ela soube que, ao menos, uma vez, tinha dito a coisa certa. Isso a encheu de afeto por ele. Talvez, pensou, fosse assim que a afeição começava: com uma frase improvável, em um momento em que alguém, de maneira inesperada, finalmente diz a coisa certa. ’Sempre temos biscoitos na aula.’” (pág. 92)

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