Trabalhadores do mar foi publicado em 1866 e é considerado uma obra-prima da literatura francesa.
A narrativa se passa na ilha de Guernsey e acompanha a jornada de Gilliatt, pescador solitário e determinado que, em troca da promessa de casamento com uma moça que ele mal conhece, aceita um desafio quase mortal, e trava uma luta contra os elementos e a força aniquiladora da natureza.
A história é lenta em demasia, existe livro muito lento, existe livro desmedidamente lento, e existe isso aqui. As descrições são terrivelmente prolixas, ao ponto de te fazer questionar se realmente gosta de ler ou só está pagando, tal qual Jesus, pelos pecados da humanidade inteira. A jornada do personagem, apesar de conter promessas de grandes guinadas, é sequencial e sem surpresas. Existe uma metáfora na obra: "homem vs natureza", e essa metáfora é, ao ponto de exaustão, jogada na nossa cara, o tempo inteiro, basicamente. A oscilação constante entre momentos de ação e trechos descritivos também cria uma experiência contraditória, fora o narrador intrusivo que a todo momento interfere e dispersa o ritmo da narrativa. Gilliatt é uma casca, alguém difícil de imaginar, de se identificar, de se relacionar. É difícil criar uma conexão, mesmo que irrisória, com uma história tão extensa que não expõe os sentimentos dos personagens, a sensação que prepondera é a de que todos são feitos do mesmo elemento: massinha de modelar. Achei o final EXTREMAMENTE bem elaborado, mas me transtornei tanto com a leitura inteira que ele se tornou indiferente, é como ser espancado por sete horas seguidas e depois receber um abraço, faz diferença? não faz diferença.