A leitura de “Varney” foi bem interessante e especial pra mim, não apenas pelo valor histórico do livro, mas por representar minha capacidade de seguir e me ater a um livro denso e longo. Se não me falha a memória, há praticamente sete anos não lia um livro com mais de 500 páginas e várias vezes duvidei de mim mesma que largaria num ponto qualquer. Mas concluí e agora sigo esperando o lançamento dos volumes seguintes.
Bom, tratando do valor histórico do livro, “Varney” foi um dos penny dreadfuls mais duradouros de sua época, rendendo mais de 200 capítulos (essas 552 páginas apenas compõem o 1° de 4 volumes, com 46 capítulos) e foi o primeiro penny dreadful que li. Estava ansiosa por conhecer mais desse tipo de publicação, e de fato tive contato com os típicos “cliffhangers”, os capítulos breves com finais estratégicos pra manter nosso interesse. Sem contar que a narração, que é em 3a pessoa, cumpre seu papel e consegue ambientar o leitor na época, no contexto e no enredo.
Aqui, temos a primeira narrativa longa de tema vampírico na Inglaterra, que precedeu “Carmilla” de Le Fanu e o próprio “Drácula” de Stoker, títulos que também dispensam apresentações. Nos primeiros 47 capítulos de “Varney”, acompanhamos a história desafortunada da família Bannerworth, que recebe numa noite a visita de Varney, o Vampiro, e todas as consequências geradas a partir disso. Já reconhecemos muitos traços típicos do gênero vampírico, que na literatura foram se consolidar mais fortemente com “Drácula” ao fim do séc. XIX. Os mencionados cliffhangers até auxiliam a “esticar”, de certa forma, o enredo, e apresentam características marcantes da Inglaterra Vitoriana e dessa figura que é o vampiro. Ao longo dos capítulos, vemos passo a passo como eles vão descobrindo tudo e lidando os infortúnios que Varney gerou em suas vidas.
Nesse ponto da resenha, preciso tratar da edição. A editora Clepsidra, mais uma vez, está de parabéns. Mesmo sendo um tomo volumoso, não de torna cansativo de ler, o papel é confortável e a fonte e o tamanho são aprazíveis aos olhos. De capa dura, acompanha fitilho marca-páginas, ilustrações dos próprios penny dreadfuls e muitas notas de rodapé explicativas. Sem contar em como é uma beleza para se gabar de ter na estante.
Vale o investimento e a leitura. “Varney, o Vampiro” é um título fundamental para quem se interessa e quer saber mais sobre o que moldou e influenciou, até os dias de hoje, nossas ideias e percepções sobre essas criaturas excêntricas, intrigantes e peculiares que são os vampiros.