RELEITURA (15/09/2021 - 29/09/2021) O gênero conto não é um dos meus preferidos. Tenho certa dificuldade de gostar. Por ser um história curta, acho que as vezes o começo e/ou o final acabam sendo apressados demais. Além disso, a maioria dos contos que li tinham finais abertos (outra coisa de que não sou muito fã). Lygia escreve muito bem e sabe articular a narrativa para criar uma atmosfera de apreensão e perturbação. A cada conto que eu lia, parecia que alguma coisa estava errada, que alguma coisa estava fora do lugar. E esse sentimento só crescia, pois a maior parte dos contos tem finais abertos. E eu, como leitora, ficava naquele limbo de imaginar todas as possibilidades do que poderia ter acontecido. Isso não é ruim, é que eu só não gosto de fazer esse "exercício". Eu realmente fico muito abalada com tudo o que eu imagino. Mas é um livro extremamente bom! O texto do posfácio é incrível e conseguiu traduzir em palavras tudo o que eu estava sentindo em relação à Lygia. "A grande dama não conta: ela murmura, fala baixinho" (p. 181). Lygia prefere finais incertos e entrega isso ao leitor de forma perfeita. "Esses contos revelam seres oprimidos, frequentemente volúveis, às vezes criminosos [...] Nada se explica" (p. 179). Dos 18 contos, gostei de 9. Sendo que os que mais me tocaram foram: O Jardim Selvagem, Natal na Barca e Venha Ver o Pôr do Sol. Apesar de não gostar muito de contos, tenho vontade de ler os outros livros de contos da Lygia e os seus romances. Gosto da maneira que ela escreve e da forma como ela cria e fala dos sentimentos dos seus personagens.

