apaixonado
Foi meu primeiro contato com o Roberto Bolaño e não achava que poderia gostar tanto desse autor assim numa leitura tão despretensiosa como foi "Noturno do Chile". Publicado em 2000, nesse pequeno romance de menos de cem páginas conhecemos as confissões/relatos do Padre Sebastián Urrutia Lacroix, que no seu leito de morte, num impulso quase de delírio, nos narra sobre seu passado como crítico literário e poeta, além de denunciar e criticar a política chilena e a ditadura de sua época. Nesse Romance que envolve metalinguagem, Bolaño, como sempre em sua obra, tece uma teia de descrições sobre um período conturbado, além de envolver literatura e diversas figuras célebres da nossa realidade num labirinto que consegue inebriar o leitor a cada página. Com seu personagem, o Padre Sebastián, ficamos fisgados pela sua compulsão pela confissão do seu passado que chega até a ser sensual e carismática, onde nos fala sobre sua paixão pelos livros, pelos poemas e pelos amigos e situações que já passou, tudo isso numa época em que a ditadura militar estava em pleno auge, criando situações e cenários tão imaginários e surreais que tiram o leitor da zona de conforto. Roberto Bolaño tem sua narrativa apaixonante e até mesmo poética, onde cenários e sentimentos se condensam para tratar dos personagens e até mesmo tirar a tensão do livro que muitas vezes é construída. Uma leitura maravilhosa e que com certeza me incitou a querer conhecer outros de seus livros. Fica a dica.
