Memórias do Calabouço -

    Mauricio Rosencof e Eleutério Fernández Huidobro

    Rua do Sabão
    2021
    300 páginas
    10h 0m
    ISBN-10: 659917860X
    Português Brasileiro

    Prêmio Bartolomé Hidalgo na categoria Testemunhos. Pepe Mujica, Mauricio Rosencof e Eleutério Fernández Huidobro não eram prisioneiros: eles eram reféns da ditadura cívico militar que tomou o poder no Uruguai em 1973. Se as famílias fizessem denúncias no exterior, se os companheiros Tupamaros atentassem contra os militares, se um resgate fosse tentado, os três reféns seriam executados. A comida era pouca, às vezes nenhuma. O frio intenso. Quando queriam ir ao banheiro, eram amarrados, encapuzados, e habitualmente espancados no trajeto. De tão precárias as condições, apegaram-se ao capuz, o mesmo que os vendava, e o utilizavam de travesseiro, de coberta, mantinham-no limpo, da forma como era possível em condições tão insalubres. Comunicar-se era definitivamente proibido. Ainda assim, batendo os dedos contra a parede, num código morse improvisado, conversavam, lutavam, militavam, jogavam xadrez. Finalmente libertados, em 1985, Mauricio Rosencof, o Russo, e Eleutério Fernández Huidobro, o Nhato, colocam-se diante de um gravador para narrar todo o vivido naqueles 12 anos. Pepe Mujica, futuro presidente do Uruguai, editou o livro. Eduardo Galeano escreveu o prefácio. Assim publica-se a primeira edição de “Memórias do Calabouço”, livro fundamental para se compreender as ditaduras sul-americanas.

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    Luiz Arthur Rocha16/05/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Nosso testemunho integra-se ao espírito da dignidade"

    Já aconteceu com vocês de um livro te tirar as palavras do início ao fim? Eu estou sentindo isso: não tenho muito o que dizer ao fim dessa leitura. Me sinto, sim, muito reflexivo e com a certeza que tirei e ainda devo tirar muitas lições do testemunho de Maurício Rosencof e Eleutério Fernández Huidobro. Que o período das ditaduras na América Latina (o recorte do livro é o Uruguai) foi nefasto, já sabemos. Mas mergulhar nos relatos de quem viveu anos (muitos anos) nas entranhas dos quartéis, sofrendo e presenciando todo o tipo de arbitrariedades é de tirar o fôlego. Para um ansioso, como eu, é impossível se colocar no lugar e não se imaginar enlouquecendo ou sucumbindo de alguma forma. Mas o mais impressionante é a dignidade com que relatam período tão traumático de suas vidas e, sobretudo, livres do ódio. De modo que concluo: eu ainda tenho muito a aprender como ser humano. Leitura importante para aprender sobre resiliencia e resistência, sobre humanidade e, principalmente, pela memória de tantos que se foram na luta por liberdade, reforçar o grito e o apelo de NUNCA MAIS fazendo menção a Camus, no momento histórico em que muitos ratos andam saindo dos esgotos.

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