Relato da vida de Frederick Douglass, publicado em 1845, apresenta enorme importância histórica por ser uma narrativa autobiográfica escrita por escravizado. Mantido cativo até os 20 anos, Douglass aprendeu a ler e escrever sozinho, conseguiu fugir para Nova Iorque e se tornou porta voz da causa abolicionista, destacando-se por sua excelente oratória.
Neste livro, Douglass nos conta como foram suas vivências desde a mais tenra idade, expondo toda crueldade e violência do sistema escravista. Conhecemos vários aspectos de sua vida, como os lugares pelos quais passou, os trabalhos que executava e o tratamento que recebia dos seus senhores. São inúmeros exemplos de maus-tratos, privações e humilhações sofridos por ele e pelos demais escravizados. Em uma época que a lei proibia que fossem instruídos, Douglass conseguiu se alfabetizar. O conhecimento tem o poder de abrir mentes e era negado aos cativos justamente para que eles não confrontassem os argumentos apresentados para sustentar a escravidão.
Uma das críticas mais contundentes é sobre o cristianismo hipócrita, parcial e corrupto, tão diferente dos verdadeiros ensinamentos de Cristo. Frederick Douglass afirma que, de todos os escravocratas, os religiosos eram os piores, sendo mais mesquinhos, desprezíveis, cruéis e covardes: Temos ladrões de homens como pastores; açoitadores de mulheres como missionários. O homem que empunha o couro de vaca com sangue coagulado durante a semana enche o púlpito no domingo, alegando ser um pastor do manso e humilde Jesus. O homem que rouba os ganhos dos escravizados no fim de cada semana atua como líder de classe no domingo de manhã. O ardoroso defensor da sacralidade das relações familiares é o mesmo que desagrega famílias inteiras - separando maridos e esposas, pais e filhos, irmãs e Irmãos -, deixando a cabana vazia e o lar desolado. A prisão de escravos e a Igreja ficam lado a lado. Os demônios ostentam vestes de anjos!