Mulher-Gato: Nova Série - Volume 4 -

    Aneke , Blake Northcott, John Timms, Mirka Andolfo, Paula Sevenbergen, Ram V

    Panini Comics
    2021
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9786559601066
    Português Brasileiro

    Um artefato raro foi roubado pelo grupo secreto formado apenas por empregadas vestidas de rosa, que chegam para limpar sua casa. e fazer a limpa nos seus bens! A Mulher-Gato tentará pôr as garras no artefato, entrando em conflito com o grupo misterioso. Além disso, a anti-heroína tentará furtar o maior diamante do mundo, que está em um leilão de supervilões! Catwoman (2018) 9, 14-15, 22-25(I)

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    Lucas David Muzel22/06/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Longe de casa e pensando nele

    As edições desse encadernado pulam algumas edições originais. Elas costumam seguir algumas molduras narrativas bem habituais para a ladra gatuna. Dá para notar também que o Ram V segue um estilo de narração em boa parte das histórias desse e do encadernado seguinte. As primeiras páginas são dedicadas para mostrar o momento mais impactante de toda a história. Como se ele estivesse seguindo a dica da conhecida do Coruja original naquele extra de uma das primeiras edições de Watchmen. E aí depois mostra a trama do começo. Catwoman #9 é a melhor história desse encadernado. É contida, é básica, e funciona razoavelmente bem. Conta com um pequeno prólogo com uma cena no cassino estilo "Onze Homens e um Segredo". Outra parte "emprestada" do famoso filme de "heist" é a ordem não linear da narrativa. Os saltos temporais deixam o leitor tão desconcertado quanto o pobre detetive da trama. Dean Hadley é um policial antagonista. É uma versão inferior do próprio Batman. Por conta disso, é facilmente ludibriado pela Selina. É o tipo de "parceiro de dança" que pisa no seu pé. O motivador da trama é o amigo da Selina, que foi prejudicado. O título da história faz referência a um tipo de rotina de dança: "Two-Step Chachacha". O tema de dança e roubos elaborados combina bem, principalmente com o estilo da Sra. Kyle. O grande segredo é revelado, e não é tão complexo. Envolve mais um pouco de risco e conhecimento sobre as pessoas envolvidas. Coreografia, preparo, ensaio e tudo mais. Dá para notar que a Selina ainda guarda algumas cicatrizes do ato maligno perpetuado pelo Tom King. No geral, é uma história razoável e decente. Um heist da Selina efetuado com sucesso. Catwoman #14 segue uma narração com estilo "fluxo de pensamento" da protagonista. O pequeno prólogo é da situação mais tensa de toda a edição. O motivador para a aventura é uma moça misteriosa que aborda Selina. Nesse estilo, lembraria as narrativas estilo noir, onde uma dama misteriosa ingressava na trama, sempre com uma meia verdade (ou meia mentira). A diferença é que, nesse caso, não há investigador particular, e sim uma ladra. A "McGuffin" dessa vez é uma lista super confidencial e super perigosa. Não será a primeira vez que as informações preciosas serão alvo de roubos nesse encadernado. Mulher-Gato estando em um momento de quase morte, acabou conversando com um literal fantasma. Isso combina tematicamente com as conversas imaginárias que ela teve com uma versão do Bruce. Como essa trama é em duas partes, a Mulher-Gato nota a trama contra ela, e decide se vingar. Catwoman #15 começa com Selina citando rapidamente a conversa com Lex Luthor. Esse único quadro é o que justifica o tie-in com a longa saga "Ano dos Vilões". Que parece uma versão ampliada do arco "Vingança do Submundo", onde os vilões recebiam ofertas boas demais para serem verdade. Um dos antagonistas desse arco curto é o Carcereiro, que teve a capacidade de fazer uma armadilha estilo James Bond para a Mulher-Gato. Obviamente que isso dá errado. O roteirista opta por demonstrar claramente que os mafiosos da cidade são malignos. Para isso, ele associa um ritual mal visto pela sociedade com a adversária da trama. O ritual gastronômico bizarro de origem francesa ficou conhecido por conta do seriado Billions. É bem provável que o roteirista tenha visto essa parte e decidiu reaproveitá-la. Toda a cena da Selina entrando no banquete dos mafiosos, e ainda soltando a frase "vocês comeram bem" é uma referência tosca e superficial a Batman Ano Um. Isso não é legal, pois inferioriza a própria personagem. Seria mais interessante fazer uma cena desse tipo ("declaração de guerra") cujo diálogo e proposta fosse no estilo dela. E não ser uma mera cópia, pois "lembram-se de Batman Ano Um?". O final foi meio aleatório. Talvez com o intuito de mostrar que Kyle é impulsiva. A minha impressão é que essa trama de vários mafiosos poderia ser apenas o começo de uma série de tramas, no melhor estilo "jogo de gato e rato", onde Selina dobraria cada chefão do crime, de maneiras divertidas e inusitadas. Pelo visto, era hora de largar essas pontas e lidar com algum tie-in da mega-saga da semana. Catwoman #22 conta com roteirista convidada. Eu considero que, no geral, o nível dela está abaixo do Ram V. O estilo dela lembra as características do Chuck Dixon e Gail Simone, só que apenas a parte que menos me agrada em ambos. A trama já começa no tempo presente, sem "prólogo aperitivo" e sem "vocês devem estar imaginando como foi que eu cheguei aqui". Uma conversa anterior da Selina justifica essa "missão" atual. Some-se a isso um pouco de vaidade e um pouco de coincidência fortuita (para a roteirista, ao menos). O que temos na história é uma ladra concorrendo com uma dupla de ladras mais jovens. É inusitado, e poderia ter sido bem trabalhado. Selina perde o primeiro round, mas obviamente obtém a palavra final. Já o diálogo da Mulher-Gato com o detetive foi triste. Repleto de trocadilhos mais baixos relacionados com gatos. Me pareceu que tinham quatro deles a cada fala. Selina quase perdoou as duas ladras (por sua moralidade quase líquida), e aí teve a reviravolta do anel. Isso deixa em aberto algumas consequências potencialmente nefastas pro detetive figurativo. Catwoman #23 conta com uma equipe de roteiristas convidados. E a trama inteira (em duas partes) me lembra as histórias do Chuck Dixon onde ele colocava a Mulher-Gato para correr de dinossauros na terra oca (ou algo nesse nível). Uma trama bem fora do tom habitual da gatuna. Temos um prólogo rápido mostrando a garota e o felino da capa. Tudo isso na tal Isla Nevada, que parece ser mais um local fictício criado. Não é à toa que o planeta Terra do Universo DC é maior que o da Marvel. A cena dos meninos locais com Selina foi interessante. A velha questão do mestre e do discípulo. Não há muita surpresa no resto da trama, pois sabemos do esquema do traficante, e também da fera gigantesca. O fim da história é quase fantasioso, com bicho gigante, esfera mágica, pó verde mágico, garota que toma conta de um monstro, e desmaio. A menina do felino afirma que é triste que Selina queira roubar o que não precisa para se mostrar a melhor em algo. Há alguma verdade nisso. Essa mensagem será retomada (de maneira mais sutil) na conclusão desse pequeno arco. Catwoman #24 mostra em alguns momentos como os norte-americanos imaginam um local tomado pelo narcotráfico. Só com o acréscimo de meta humanos. É bem cômico que a tal "lista" esteja em um PC completamente montado, e dentro de um cofre. A parte de segurança de tecnologia da informação foi seriamente negligenciada por aqui. Parte da mensagem da trama envolve o conceito da "obra em construção", uma mensagem relativista, caótica, e oposta a qualquer tipo de rótulo ou padrão. Em sua essência, é uma maneira feminina (e artística) de encarar a realidade. No final, Selina consegue seus objetivos. Saiu do tema do assalto clássico e foi para a tentativa de discussão sobre as mazelas do terceiro mundo. Catwoman #25 está ligado com mais uma mega-saga, dessa vez chamada "Guerra do Coringa". Onde o palhaço decide ligar para a identidade secreta do Batman, roubando a fortuna dos Wayne. Essa "palhaçada editorial" pode ter surgido devido ao incômodo dos editores ao ter um protagonista que é, simultaneamente, bilionário e moralmente correto. Nós vemos como a fortuna dos Wayne, após ter sido roubada pelo Coringa, foi redirecionada por Selina até os Fox. A parte mais interessante dessa edição foi a analogia entre dança e perigo de morte, feita na introdução da trama e em alguns outros momentos. O roteiro precisava que a Selina tivesse um papel fundamental para que a incursão funcionasse. O alvo eram dados sigilosos, pois, na era de redes sociais, esse é o tema que vários roteiristas acham fundamental de criar tramas sobre. Por conta dessa auto restrição, o Charada fez uma infiltração nos sistemas de segurança, mas precisa que a Selina faça a conexão com ele diretamente nos racks de servidores. Isso é muito, muito estranho. A maneira sigilosa e discreta de invasão poderia, em tese, chegar a qualquer equipamento do local. Uma possível exceção faria com que a máquina estivesse realmente isolada de qualquer rede, e isso impediria a Mulher-Gato fazer qualquer coisa com a máquina. No fim, tratou-se apenas de um facilitador para que a traição ocorresse. Outra conveniência de roteiro foi o detetive ter aparecido na hora certa. E nem é o caso dele estar em Gotham e, por um acaso, estar passando perto. Ele foi visto pela última vez literalmente em uma cidade na Califórnia, a muitos e muitos quilômetros de distância. O detetive pateta estava monitorando-a, e chegou no local do roubo bem na hora certa. Mesmo com todas essas observações, essa edição é a segunda melhor do encadernado. Justamente por conta da analogia da dança flamenca e dos subterfúgios, mesmo que mal trabalhados.

    1 curtida

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