"Proust: As intermitências do coração e outros ensaios" é um bom livro para quem já está iniciado na "Recherche". Porém, há que se fazer pelo menos uma reparação. Os oito primeiros ensaios pecam por uma confusão, um tanto tolerada no caso de Proust e inaceitável em relação a outros autores, entre a vida pessoal do escritor e o narrador-personagem. Por vezes, lendo um desses ensaios, pode-se fazer uma pausa e pensar: "Mas de que Marcel ele está falando?" (Marcel é tanto o prenome de Proust quando o do personagem-narrador.
O livro começa a ficar mais interessante a partir do ensaio "Como um vendedor de roupas usadas", mas então restam apenas mais dois ensaios: "Beijando Albertine" e "O grande sertão de Proust". Ao contrário dos ensaios anteriores, estes tratam da obra em si.
O livro ainda traz três artigos para a "Folha de S. Paulo" e uma resposta ao caderno "Mais", do mesmo jornal, à pergunta: "Por que ler Proust?".