Considerada por muitos como a obra prima de Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires é uma discussão entre a manutenção do status quo e a possibilidade de enriquecimento com a exploração ultramarina.
O arquétipo do português em Gonçalo Ramires não se degladia em grandes questões existenciais, suas preocupações são mais mundanas: arrendar ou não um terreno, casar-se abaixo do seu nível com uma mulher digna, qual o preço da farinha. Nessas conjecturas vê-se uma pessoa de carne e osso que o autor força pouco a pouco a considerar uma nova empreitada.
A partida para outras terras é celebrada por Queirós como uma nova chance para seu povo, e assim Ramires não expõe suas desditas... o final é reservado apenas para a celebração.
Há bem menos do sardonismo pelo qual o autor é conhecido ainda que a crítica esteja presente. O que se nota no texto em ênfase é a esperança de uma vida melhor, ou seja, da retomada lusitana de sua posição como exploradores e aventureiros.
Recomendo.