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    Foi apenas um sonho -

    Richard Yates

    Alfaguara
    2009
    306 páginas
    10h 12m
    ISBN-13: 9788560281701
    Português Brasileiro
    3.9
    429 avaliações
    Leram620Lendo24Querem831Relendo3Abandonos35Resenhas31
    Favoritos75Desejados831Avaliaram429

    Em Foi apenas um sonho, Frank e April Wheeler são jovens que, ao se mudarem para uma casa confortável nos arredores de Nova York, acreditam ter uma vida cheia de oportunidades pela frente. Apesar de terem de conviver com vizinhos mesquinhos e desinteressantes, consideram-se acima de tudo isso. Mas, conforme os anos passam, seus desejos parecem cada dia mais distantes. Ele detesta o trabalho burocrático, mas não sabe o que fazer para escapar da rotina. Ela, que se tornou mãe de dois filhos antes do planejado, gasta os dias em pequenos afazeres domésticos. Agora, uma nova chance de mudar suas vidas os fará tomar um rumo inesperado. Com profunda empatia e clareza, Richard Yates nos mostra como Frank e April comprometem esperanças e ideais, traindo não apenas um ao outro, mas também a si mesmos. É um livro marcante, que agora ganha uma adaptação para o cinema pelo diretor, ganhador do Oscar, Sam Mendes, com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet no papel de protagonistas dez anos depois do sucesso em Titanic. Lançado em 1961 com o título original Revolutionary Road, o livro de Richard Yates está na lista dos 100 maiores romances de todos os tempos da revista Time.

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    Mariana Carniel picture
    Mariana Carniel22/02/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O vazio desesperador.

    Tudo se passa no início dos 60, nos EUA. Um casal jovem, com 2 filhos pequenos (tidos precocemente e sem querer), vive angustiado com a mediocridade de suas rotinas, das pessoas que os cercam e da vida, que a maior parte das pessoas leva, sem qualquer questionamento. Nesse sentido, lembrei-me de "A Trégua", de Benedetti, quando o protagonista diz "suportaria melhor meu estilo de vida se não tivesse consciência de que (apenas mentalmente, claro) estou acima dessa vulgaridade". A questão é que essa "consciência" não é tão firme para Frank e April, que, ao mesmo tempo em que anseiam desesperadamente por um destino melhor, ou mais interessante, desconhecem em si mesmos o talento capaz de diferenciá-los. E, nessa busca, Frank acaba por embarcar no plano sonhado por April de irem morar em Paris (por que será que sempre Paris?) como a oportunidade de ouro para se libertarem do 'vulgar', satisfazerem suas carências de conviver com pessoas 'interessantes' e descobrirem um sentido para suas vidas, sem a pressão e a obrigação de serem felizes porque capazes de consumir tudo o que, em tese, representaria 'ter uma vida feliz'. Para mim, o melhor do livro, assim como do filme, ocorre no momento em que ambos estão envolvidos nesse processo e contagiados pelas boas expectativas de vida em Paris, e tudo o que acontece naturalmente pelo simples fato de terem renovado suas esperanças na vida. Porém, o que, a princípio, parecia ser o motivo de maior química do casal, que era a afinidade, típica de pessoas que têm a mesma visão de mundo, aos poucos vai se esfacelando e deixando à mostra todas as incongruências do relacionamento, arruinado justamente pela consciência de que a afinidade, como se pensava, talvez nunca tenha existido. "Que coisa mais ardilosa e traiçoeira era se deixar levar por um caminho daqueles! Porque depois que a pessoa se põe em marcha, é extremamente difícil se deter; (...) E quando a pessoa percebe, toda a franqueza, toda a verdade está tão distante e vaga, tão inalcançável quanto o mundo do faz-de-conta. Então a pessoa descobre que está levando a vida assim como o Grupo de Teatro Laurel atuou em "A floresta petrificada", ou como Steve Kovick tocava bateria - com seriedade, incompetência e presunção, e de um modo totalmente errado; a pessoa descobre que dizia sim quando queria dizer não, e "Precisamos estar juntos nisso" quando queria dizer exatamente o contrário; então a pessoa começa a sentir o cheiro de gasolina como se fosse de flores, e se entrega a um delírio de amor sob o peso de um homem... de quem não se gosta, e então a pessoa se vê, cara a cara, em plena escuridão, diante da constatação de que não conhece a si mesma." Gostei tanto do filme que, mesmo muito tempo depois, resolvi fazer o caminho inverso e menos provável e ler o livro que lhe deu origem. E não sei se teriam me tocado tanto o casal e as questões existenciais deles se já não tivesse a ideia do filme na minha mente. Isso porque o casal do filme me pareceu sensivelmente mais cúmplice e mais unido que o do livro, o que conferia maior sentido à todo o resto, porém a obra de Richard Yates merece certamente 5 estrelas.

    16 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 429
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas3%
    Richard Yates profile picture

    Richard Yates

    Nascido em Yonkers, Nova Iorque, Richard Yates (1926–1992) viveu no seio de uma família instável. Os pais divorciaram-se quando ele tinha apenas três anos, e grande parte da sua infância foi passada em diversas cidades e residências. As suas histórias premiadas começaram a ser publicadas em 1953 e o seu primeiro romance, Revolutionary Road, foi nomeado para o National Book Award em 1961. É autor de outras obras, incluindo os romances A Good School, The Easter Parade e Disturbing the Peace, e duas coleções de contos, Eleven Kinds of Loneliness e Liars in Love. Duas vezes divorciado, Yates teve três filhas: Sharon, Monica e Gina. Morreu em 1992, em Birmingham, Alabama.

    14 Livros
    21 Seguidores
    Nova York, Estados Unidos

    Richard Yates